Composto da cannabis pode ajudar a retardar avanço do Alzheimer

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O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo e a forma mais comum de demência, responsável por 60% a 80% dos casos em idosos. Quando as proteínas anormais beta-amiloide e tau se acumulam no cérebro, isso resulta na morte de neurônios, perda de memória, declínio cognitivo e alterações de comportamento.

Não existe uma cura específica para estes sintomas, porém, existem formas de prevenir e retardar o desenvolvimento deles. Uma delas é o canabidiol. Experimentos feitos com camundongos mostraram que o composto foi capaz de reduzir o acúmulo de toxicidades na massa encefálica, restaurar conexões entre neurônios e melhorar a memória dos animais.

O Dr. Arthur Jatobá, médico especialista em neurologia, destaca que 500 componentes químicos podem ser extraídos da planta da maconha, a Cannabis sativa.

“Dentre esses componentes, aproximadamente cento e poucos são considerados canabinoides. E dois deles, que é o CBD, que é o canabidiol, e o THC, que é o tetraidrocanabinol, são usados com fins medicinais. E dentro da neurologia, hoje a gente sabe que as principais indicações são a epilepsia refratária, pacientes com dores crônicas e em pacientes com esclerose múltipla que apresentam espasticidade, que é um tipo de rigidez”.

Um aspecto que chama a atenção deste composto natural é o fato de ele não provocar os efeitos psicoativos associados ao tetraidrocanabinol, o que o torna um candidato mais seguro para estudos clínicos. Arthur Jatobá ressalta que as pesquisas em laboratório mostram que essa substância tem efeitos neuroprotetores.

“Como efeitos anti-inflamatórios e antibeta-amiloide. São duas das principais alterações que a gente vê na doença de Alzheimer. A gente ainda não tem estudos grandes e robustos com uma grande quantidade de pacientes para poder avaliar melhor os possíveis benefícios dessas substâncias. A gente vê na prática do dia a dia e em alguns estudos que os pacientes que mais se beneficiam dessas substâncias são aqueles que têm alterações comportamentais importantes”.

O estudo em questão foi conduzido por cientistas da Universidade de Shenzhen, da Academia Chinesa de Ciências e outras instituições. Foi publicado em 19 de março na revista Molecular Psychiatry. O canabidiol é um composto não psicoativo da Cannabis sativa, usado para tratar epilepsia refratária, dores crônicas como a fibromialgia, ansiedade, autismo e Alzheimer, agindo no sistema endocanabinoide.

Fonte: HOJE BAHIA

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