Drones, IA e tinta branca: Europa age para proteger infraestrutura do calor

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Enquanto as ferrovias da Europa sofrem com o calor recorde, as estradas derretem e as redes elétricas ficam sobrecarregadas, ​os países estão recorrendo a uma série de soluções para a infraestrutura envelhecida, ​desde drones que inspecionam os trilhos e sensores movidos por inteligência artificial até uma ferramenta surpreendentemente simples: tinta branca.

No aeroporto de Oslo, na Noruega, nesta quarta-feira (15), com as temperaturas previstas para atingir 30 graus Celsius — 10°C acima do normal para a época do ano —, os trabalhadores molharam a pista com água para mantê-la fresca.

Trata-se de uma mudança significativa em um país mais acostumado a lidar com o frio, o que reflete como a Europa está tendo que se adaptar ao aumento das temperaturas, que estão alimentando incêndios florestais, causando milhares de mortes a mais e colocando a infraestrutura sob pressão crescente.

“Na Noruega, o asfalto ⁠precisa suportar tanto o frio extremo quanto temperaturas bastante altas”, ​disse Jørn Arvid Remark, engenheiro de operações da Avinor, operadora aeroportuária estatal norueguesa, acrescentando que o aeroporto estava testando um novo asfalto ​resistente ao calor.

O corpo de bombeiros pulveriza cerca de 9.000 litros de água em pontos-chave da pista, que pode ser danificada em altas temperaturas, ⁠pois amolece sob o peso das aeronaves.

As estradas e ferrovias da Europa, ⁠muitas construídas há décadas, têm cada vez mais dificuldade em lidar com a situação. As temperaturas na Europa Ocidental na ​quarta-feira ‌estavam 5,5 °C acima da média para 15 de julho, de acordo com o Reuters Climate Monitor.

“Nossa infraestrutura não está de forma alguma preparada para os eventos ⁠climáticos extremos que vamos enfrentar”, disse Chris Dodwell, codiretor do centro de sustentabilidade da Impax Asset Management, acrescentando que as ondas de calor, antes raras, estão se tornando eventos regulares.

Um relatório de 2025 elaborado pelos principais bancos centrais estimou que eventos climáticos severos, incluindo ondas de calor, secas e inundações, poderiam reduzir o PIB da ‌zona ⁠do euro em até 4,7% ‌até 2030.

Mais tempestades e inundações

As ferrovias europeias têm sentido o impacto de forma aguda.

Um relatório da UE divulgado em abril constatou que mais de 70% dos gestores ferroviários estavam observando um aumento nas interrupções causadas por condições climáticas extremas. Entre 2015 e 2024, as interrupções relacionadas ao clima totalizaram o equivalente a um a ⁠três anos de serviço ferroviário em toda a região.

O calor pode causar a expansão ⁠dos trilhos e falhas nos aparelhos de via, nos sinais e no sistema de energia. No entanto, condições climáticas extremas provocadas por altas temperaturas podem ser ainda mais perturbadoras.

“A questão mais ‌crítica para as redes ferroviárias não é o calor em si, mas as tempestades, os ventos fortes e os deslizamentos de terra que frequentemente se seguem às ondas de calor”, afirmou Oliviero Baccelli, professor da Universidade Bocconi, em Milão.

“A Itália já sofreu interrupções significativas em sua rede ferroviária, particularmente nas rotas alpinas, como resultado de eventos relacionados ao clima.”

Países do norte da Europa, como Reino Unido, enfrentam desafios específicos, pois grande parte de sua infraestrutura ‌ferroviária foi projetada para uma faixa de temperatura mais restrita do que as redes do sul da Europa.

John Lawrence, presidente da Rede Técnica Ferroviária do IET, disse que muitos componentes e sistemas ferroviários estão “essencialmente congelados no tempo”.

No entanto, nem todas as soluções são extremamente caras, com algumas operadoras utilizando ⁠métodos tradicionais para refletir o calor. A autoridade de transportes de Estocolmo gastou cerca de 100 mil coroas suecas (US$10.300) pintando trechos dos trilhos do metrô de branco em maio e junho para reduzir o risco de deformação dos trilhos.

A RATP, operadora de transporte de Paris, criou uma unidade de contingência para ondas de calor ​e está preparando um plano de adaptação climática até o final do ano.

Na Noruega, autoridades afirmam que o clima mais quente e úmido está mudando a forma ​como as novas infraestruturas são projetadas.

“As estradas serão construídas de forma mais robusta”, disse Grethe Vikane, chefe de desenvolvimento social e clima da Administração Norueguesa de Estradas Públicas.

“Para que possam suportar tanto os desafios já enfrentados quanto as consequências das mudanças climáticas previstas.”

 

Fonte: CNN Brasil

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