Com quase R$ 5 bilhões destinados aos partidos pelo Fundo Eleitoral em 2026, as campanhas políticas movimentam uma cadeia de fornecedores que vai muito além das tradicionais gráficas de santinhos. A expansão da propaganda digital, o fortalecimento das redes sociais como principal arena de disputa política e a regulamentação do uso de Inteligência Artificial pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriram espaço para negócios especializados em produção de conteúdo, gestão de redes, audiovisual e tecnologia.
Para André Maciel, analista de Inteligência de Mercado do Sebrae, as eleições funcionam como um mercado de alta rotatividade financeira e forte demanda sazonal. Segundo ele, a proibição das doações empresariais descentralizou as contratações e criou um ambiente com muitas oportunidades para micro e pequenas empresas (MPEs).
“Os recursos das campanhas deixaram de se concentrar apenas em grandes agências. Essa mudança pulverizou a demanda e criou um cenário altamente favorável para as MPEs, que possuem agilidade e custos mais enxutos para atender candidatos locais”, afirma.
Do santinho ao Reels
Quando o analista político Paulo Loiola fundou a Baselab, agência de marketing e consultoria política, em 2016, o cenário das campanhas eleitorais era outro. “Dez anos atrás você tinha um percentual muito menor de usuários de internet, de pessoas com celular e de tempo gasto em redes sociais. A maneira de chegar nas pessoas passou a ter importância cada vez maior no digital”, diz.
Segundo ele, a mudança alterou não apenas os canais de comunicação, mas também o formato das mensagens. O texto longo perdeu espaço para vídeos curtos, interações em tempo real e conteúdos pensados especificamente para plataformas digitais.
Os profissionais que mais cresceram foram o videomaker, que acompanha o candidato com o celular, o social media, o editor de vídeo e o redator focado em Reels. Antes, a produção era toda voltada para TV e material gráfico; hoje os serviços mais procurados são gestão de tráfego pago, roteiro para vídeo digital e edição de vídeo.
Paulo Loiola, empreendedor
De acordo com o Observatório Setorial Territorial, serviço do Sebrae de Inteligência da Competitividade, o gasto com publicidade em mídias sociais cresceu drasticamente nos últimos ciclos eleitorais, saltando de 2,6% de todo o orçamento declarado em 2018 para mais de 6% em 2022, enquanto os gastos proporcionais com rádio, TV e carros de som diminuíram.
Com núcleos digitais de campanhas cada vez maiores, as exigências também aumentaram. É o que revela Anelise Hott, que coordena a comunicação digital de três pré-candidatos a deputado. “Quantos candidatos com milhões de seguidores não ganham eleição. Precisa ter número, constância, presença. Ninguém ganha de uma hora para outra”, diz ela, que há 10 anos atua em campanhas eleitorais.
Segurança cibernética e documentação
A chegada da Inteligência Artificial trouxe um novo nível de complexidade técnica e jurídica nas campanhas. Ferramentas de IA já são utilizadas para revisão de textos, planejamento de comunicação, análise e produção de conteúdo e apoio à produção de materiais de campanha.
Além das facilidades no processo, a tecnologia também criou um novo nicho de negócios, de acordo com André Maciel. Como o TSE exige identificação explícita de conteúdos sintéticos e prevê punições para deepfakes enganosos, cresceram as demandas por serviços de segurança cibernética, monitoramento de reputação digital e auditoria de conteúdo. “Empresas focadas em segurança digital ganharam muito espaço. Elas agora são demandadas para oferecer auditoria e resposta rápida contra o uso indevido e difamatório de IA contra os candidatos”, afirma.
O período eleitoral pode representar uma parcela relevante do faturamento anual de profissionais autônomos e pequenos negócios. “Há um volume enorme de pequenos candidatos injetando dinheiro em micro e pequenas empresas locais. Além disso, a obrigatoriedade da conformidade contábil transforma a contratação de contadores e auditores em uma demanda praticamente garantida no final da campanha”, diz Maciel.
Segundo ele, os profissionais que pensam em entrar nesta seara precisam se atentar para uma série de burocracias. “A preparação mais crítica é a regularização rigorosa da documentação fiscal e contábil. O TSE e a Receita Federal realizam cruzamento sistemático de dados bancários, exigindo que os pequenos negócios e os MEIs emitam obrigatoriamente a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) de forma padronizada”, diz o analista.
Apoio do Sebrae
O Sebrae oferece apoio a empreendedores em diversas áreas de gestão e em capacitação sobre áreas estratégicas no período eleitoral, como nos exemplos abaixo:
- Marketing digital e redes sociais: com 7h de duração, o curso gratuito mostra como segmentar seu público; criar conteúdos relevantes e entender as bases de anúncios e campanhas patrocinadas.
- Instagram Day: curso para quem quer se destacar no digital e conquistar clientes com estratégias práticas e acessíveis, com apresentação dos principais recursos da plataforma a favor da sua marca, exemplos reais e muito conteúdo útil e aplicável no dia a dia.
- Luz, Câmera e Conversão: ensina a usar vídeos de forma estratégica para mostrar seu trabalho, atrair mais clientes e aumentar as vendas.
Pesquise outras soluções no Portal Sebrae ou entre em contato pelo canal de atendimento 0800 570 0800.
Fonte: HOJE BAHIA