Durante a entrevista, o presidente também foi questionado sobre as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) contra o filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de corrupção e tráfico de influência em órgãos federais. Sobre a questão, Lula pontuou que são “ilações tiradas de telefonemas” e, portanto, ainda não há nenhuma acusação ou prova concreta. Apesar disso, o petista prometeu que não vai interferir na questão.
“Eu não sou Ministério Público, não sou delegado, não sou juiz, eu sou o presidente da República e pai do Fábio. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro que teria cometido um crime. Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal e nem fazer qualquer movimento para que meu filho não responda se ele tiver erro, como outros já fizeram. Ele sabe o que eu passei [quando foi condenado e preso na Lava Jato], que a Marisa [mãe de Lulinha] morreu por conta da falsa acusação que foi feita na Lava Jato. Portanto, ele tem obrigação de não ter feito o erro. Estou muito tranquilo”, declarou.
Na sequência, Lula também foi questionado sobre seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que deixou o cargo por conta de investigações que apontam recebimento de pagamentos da empresária Roberta Luchsinger. Ao responder se a situação levaria suspeitas para dentro do Palácio do Planalto, Lula confirmou, mas lembrou que não há nenhuma prova de que houve envolvimento de dinheiro público no caso. “O caminho é um só, da apuração e investigação e, depois, da inocência ou condenação”, complementou.
Já em relação ao escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), quando fraudes que ultrapassaram R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024 afetaram os vencimentos de mais de quatro milhões de aposentados e pensionistas, por meio de descontos indevidos, Lula pontuou que o caso foi descoberto durante o seu governo.
Conforme o presidente, todo o dinheiro descontado indevidamente já foi devolvido e os cofres públicos estão sendo ressarcidos por meio dos bens apreendidos da organização criminosa. “A CGU [Controladoria-Geral da União] trabalhou com muita seriedade para investigar e levou dois anos […]. E é assim que funciona a realidade, não tem outro jeito”, afirmou.
Lula ainda citou o caso do PowerPoint, sem dar detalhes se estava se referindo ao gráfico exibido pela GloboNews que induzia o telespectador a fazer uma associação direta entre o petista e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. “Eu não esqueço do PowerPoint mentiroso contra mim”, afirmou.
Já sobre o senador Jaques Wagner (PT), que deixou a liderança do governo no Congresso após investigações da PF apontarem uma possível ligação dele com Augusto Lima, ex-sócio do Master, o petista afirmou que a relação do aliado com o empresário ocorreu antes de ele adquirir parte do banco. “Até agora não está provado que o Wagner tem relação com o Banco Master. O que eu não posso admitir para mim e aceitar é que eu possa fazer política vivendo de ilações todo santo dia”.
Contas públicas e ajuste fiscal
Na sequência, Lula foi questionado sobre a trajetória da dívida pública, que ultrapassou R$ 10 trilhões e chegou a cerca de 82% do PIB. O presidente contestou a avaliação de que seu governo não teria responsabilidade fiscal e destacou que, em seus primeiros mandatos, o Brasil registrou superávit primário por oito anos. Segundo Lula, o crescimento econômico é o principal caminho para reduzir o peso da dívida sobre o PIB.
O petista também atribuiu parte da alta da dívida aos juros e afirmou que herdou, em 2023, um déficit fiscal de 2,8%. Apesar disso, Lula disse que o governo deve encerrar o ano com resultado primário positivo e defendeu que a responsabilidade fiscal deve estar associada à capacidade de o país crescer e investir.
Outro tema abordado foi a situação das empresas estatais, quando Lula foi questionado sobre os prejuízos acumulados principalmente pelos Correios, que acumulam perdas bilionárias. O presidente reconheceu que a estatal precisa passar por mudanças e afirmou que os Correios não conseguiram se adaptar à transformação do mercado de entregas.
“Os Correios são uma empresa muito importante para o Brasil, porque está em todos os municípios brasileiros. Obviamente que não se adaptou ao novo tempo, surgiram muitas empresas de fazer entregas e os Correios ficaram na mesmice. Mas estamos com uma nova administração que está com a responsabilidade de fazer o enxugamento que for necessário”, disse, ao prometer que não venderá a empresa caso reeleito.
Por fim, Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e a criação de um ministério após o novo texto definir as atribuições da União, dos estados e dos municípios no combate ao crime organizado. O presidente afirmou que pretende ampliar o uso de inteligência e a atuação integrada das forças policiais, além de reforçar o combate ao narcotráfico nas fronteiras.
Segundo o presidente, o objetivo é “recuperar o território do povo”, enfrentando tanto o crime nas ruas quanto organizações criminosas que atuam no sistema financeiro.
Fonte: HOJE BAHIA
