Há muito tempo, quando os bichos falavam e a tecnologia ainda engatinhava no Brasil, houve uma discussão: quem deveria ser, entre eles, o ‘Rei dos Animais’.
O Rato disse que, por certo, se for por votos, seria ele, ou o Preá,
— Só eu tenho dezenas de filhos, o Preá outros tantos.
O Sapo contestou,
— Ora, se você tem dezenas eu tenho centenas a cada nova geração.
A Onça rosnou,
— Animais insignificantes, quem é o mais poderoso predador?
O Lobo Guará, que comia uma lobeira nem tentou se pronunciar. O Jumento também evitou entra no bate-boca, mas o Tamanduá Bandeira arguiu ser ele o símbolo do Brasil, portanto, seria o rei. A Paca disse, sabiamente:
— Por que nós não perguntamos ao fazendeiro?
O Caititu que procurava tubérculo por ali próximo, sentenciou.
— Hora, vocês… Não sejam ingênuos, se perguntarem ao fazendeiro quem será o ‘Rei dos Animais’ ele, sem titubear, dirá ser o burro, porque, para o homem, só vale quem tem mais serventia para ele…
Porém, a Inteligência Artificial do X, Grok, analisou o texto e disse qual seria a “Moral da história.
Moral da Fábula: “Para o homem, o que importa não é quem é o mais forte, o mais numeroso ou o mais simbólico, mas sim quem lhe é mais útil.”
Explicação detalhada:
A fábula usa de forma bem-humorada e inteligente, o debate entre os animais, para criticar como o ser humano costuma avaliar o valor das coisas (e das pessoas).
- O Rato e o Preá se gabam pela quantidade (ter muitos filhos).
- O Sapo se gaba pela reprodução em massa.
- A Onça se gaba pela força e poder.
- O Tamanduá-bandeira se gaba pelo simbolismo nacional.
Todos eles acreditam que algum critério “animal” (força, quantidade ou prestígio) deveria definir quem é o rei. No entanto, o Caititu (com sabedoria prática) revela a dura realidade:
Quem decide quem é “o rei” é o fazendeiro — ou seja, o ser humano. E para o homem, o critério é simples e pragmático:
“Só vale quem tem serventia” — quem trabalha, quem carrega peso, quem produz, quem serve aos interesses humanos.Por isso, o Jumento (burro), que ninguém levou a sério na discussão, seria escolhido como “rei” pelos humanos, justamente por ser o mais útil para o trabalho diário no campo.
Moral resumida em uma frase:
O valor que o poderoso atribui a alguém raramente depende de méritos como força, quantidade ou simbolismo, mas sim da utilidade que essa pessoa (ou animal) oferece a ele.
É uma crítica sutil, mas afiada, à forma como o poder (no caso, o homem/fazendeiro) redefine hierarquias segundo sua própria conveniência, ignorando os critérios dos próprios envolvidos.”
Eu, por outro lado, havia pensado em Franz Kafka*, que vivia em outra época, quando não havia TV, Rádios, e muito menos a Internet, Kafka escreveu um belo conto sobre o assunto. Chama-se “A Metamorfose”.
Tem de graça no Google.
*Franz Kafka (1883–1924) – foi um influente escritor de língua alemã nascido em Praga, conhecido por obras que exploram o existencialismo, a burocracia e o absurdo, como A Metamorfose e O Processo.
Fonte: HOJE BAHIA