Erro inclui 6.600 não-cidadãos em listas eleitorais dos EUA, diz autoridade

Últimas Notícias

Cerca de 6.600 pessoas que não são cidadãos dos Estados Unidos foram acidentalmente incluídas nos cadernos eleitorais de Nova Jersey devido a um erro de software no departamento estadual de veículos motorizados, mas menos de 400 realmente votaram nas eleições desde 2023, afirmou a governadora Mikie Sherrill nesta terça-feira (21).

O anúncio ocorre em um momento em que o presidente americano, Donald Trump, realiza uma agressiva campanha para identificar e coibir o voto de não-cidadãos antes das eleições legislativas de novembro — algo que especialistas já haviam avaliado não causar um problema significativo nas eleições americanas.

Sherrill, uma democrata que assumiu o cargo em janeiro, disse que tomou conhecimento na semana passada do erro de software no Sistema de Veículos Motorizados de Nova Jersey, no qual pessoas que haviam indicado não serem cidadãos norte-americanos foram registradas como eleitores mesmo assim entre junho de 2023 e junho de 2024.

Essas pessoas não cometeram nenhuma irregularidade e foram registradas por engano “sem culpa alguma”, afirmou ela.

A análise preliminar do Estado mostrou que menos de 400 dessas 6.600 pessoas — democratas, republicanos e pessoas sem filiação partidária espalhadas por todo o Estado — realmente votaram.

Sherrill disse que ordenou a remoção das pessoas adicionadas por engano das listas eleitorais e deve substituir a empresa responsável pelo erro, ocorrido antes de ela assumir o cargo.

“Enquanto o governo Trump tenta usar as eleições como arma para obter ganhos políticos, estou garantindo que protejamos nossas eleições”, disse Sherrill em comunicado.

“A diferença é simples: quando encontramos um problema, não o escondemos, não o negamos nem inventamos teorias da conspiração. Nós o investigamos, corrigimos e informamos ao público. É assim que se manifestam a prestação de contas e a boa governança, e é exatamente isso que meu governo está fazendo”, acrescentou.

Trump passou anos levantando dúvidas sobre os resultados eleitorais, alegando que sua derrota em 2020 para o democrata Joe Biden foi fraudulenta.

Ele também divulgou outras alegações falsas, incluindo que o voto por correspondência está repleto de fraudes, que as urnas eletrônicas não são confiáveis e que o voto de não-cidadãos é generalizado.

Diversos tribunais e recontagens de votos não encontraram evidências de fraude em grande escala na eleição de 2020. Uma análise de dados da Reuters revelou que as violações eleitorais por parte de não-cidadãos eram, muitas vezes, inadvertidas, resultado de desinformação por parte de terceiros ou de confusão da própria parte deles.

Na semana passada, o governo Trump ameaçou autoridades estaduais com multas e acusações criminais caso não cumprissem medidas de segurança eleitoral, incluindo o fornecimento ao governo federal de listas eleitorais sem censura.

Nova Jersey foi um dos quatro Estados aos quais o secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, solicitou na semana passada que revisassem suas listas eleitorais.

Ele afirmou que havia mais de 250 mil possíveis violações nos quatro Estados — os outros três são Califórnia, Nevada e Pensilvânia —, mas não apresentou evidências nem especificou quais critérios o departamento utilizou para identificá-las.

“Estou ansioso para trabalhar com vocês para garantir a segurança de suas eleições no futuro”, disse Mullin nesta terça-feira em uma publicação na rede social X, referindo-se ao anúncio de Sherrill.

Tribunais bloquearam tentativas do governo Trump de obter listas eleitorais dos Estados sem censura, que contêm informações confidenciais e de identificação pessoal dos residentes.

Fonte: CNN Brasil

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *