“Quem me conhece sabe” e quem não me conhece fica sabendo agora, que eu sou um mentiroso contumaz. Sou, na verdade, um mentiroso compulsivo, quase um culhudeiro sem vergonha na cara. Acho que é exatamente por isso que gosto tanto de futebol. Futebol é a arte da mentira elevada ao cubo. Você faz que vai, mas não vai; finge que vai chutar, mas não chuta, enfia a mão na bola e diz que foi o pé, etc.
Ainda ontem, assisti ao jogo do CRB, meu time em Alagoas, contra o Ceará, meu time no Ceará. Apesar de ter sido um “jogaço”, equivalente ao Inglaterra contra a França da Copa da Vergonha, o que mais me chamou a atenção foi o nome do artilheiro do CRB, também atual artilheiro do Brasil: Mikael. Apelidado de Mikagol. Estava eu distraído, quando o narrador, cujo nome desconheço — e conhecê-lo em nada melhoraria esta crônica — gritou a plenos pulmões: Mikagollllll. Acredito que entendi, com a pronúncia anasalada do narrador televisivo, porque os adversários evitam se aproximar do nosso querido artilheiro.
Agora que falei na Copa da Vergonha, que substituiu a Copa do Mundo de Futebol com politicagens, gostaria de tecer alguns comentários acerca da mesma, no sentido de contribuir com a seleção brasileira. Eu, que lancei o slogan “com Casemiro e Paquetá, não dá”, lanço agora uma sentença que, sei, vai chocar a “pátria de chuteiras”: “com Carlo Ancelotti, não vai dar”. E choco mais ainda: podem juntar Ancelotti, Varmengo, CBF, Varmeiras, Endrick, Vinícius Júnior e o escambau que o Brasil não ganha. Na verdade só vejo uma saída: bota Mikagol!
Lá ele!
Ps: Talvez eu esteja mentindo mais uma vez. Mas, se botarem Mikagol, garanto que o hexa vem. Se não vier, vocês já sabiam desde a primeira linha que eu era mentiroso.
Fonte: HOJE BAHIA