Jorge Messias deixou o Senado afirmando que “toda a sorte de mentiras” ocorreu para lhe derrubar (e foi derrubado) desde que foi anunciado como indicado pelo presidente Lula (PT) ao STF (Supremo Tribunal Federal). “Nós sabemos quem promoveu tudo isso”, disse, sem citar nomes.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), preferia abertamente o também senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O ministro decano Gilmar Mendes, também – embora, nas últimas semanas, tenha dado sinais de apoio a Messias, que só encontrava endosso intra STF com o irmão de fé evangélica André Mendonça.
Na sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou a Messias que ministros do STF trabalhavam para que seu nome não prosperasse e questionou se o indicado teria “envergadura moral” para confrontar “posicionamentos” de magistrados do Supremo.
Messias respondeu: “farei o que é certo. E a prova disso é esta caminhada que eu estou passando. O senhor sabe muito bem que os cinco meses que eu estou percorrendo e toda essa Via Crucis que eu passo decorre exatamente por conta dessas questões.”
Na CCJ, Messias deu “apoio total” às discussões sobre o Código de Ética no STF, mas ponderou a necessidade de “decisão colegiada”; afirmou que processo penal “não é ato de vingança”, ao falar do inquérito das fake news; e disse que Mendonça, que relata ações sobre fraudes no INSS e no Banco Master, “dá orgulho ao país”.
O significado da rejeição a Messias para a relação entre os Três Poderes foi tema de análise no WW desta terça-feira (29).
WW – SENADO IMPÕE MAIOR DERROTA POLÍTICA DA HISTÓRIA DE LULA – 29/04/2026
Veja os destaques dos blocos e assista às análises na íntegra:
Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy: Tivemos um divisor de águas que vamos lembrar por muito tempo. Primeiro, uma demonstração de força do Congresso Nacional, que já controla o Orçamento, vetou várias pautas deste governo e, agora, rejeitou uma candidatura ao Supremo. E houve um recado importante para o Supremo, também: se buscamos a sabatina, todas as críticas que o Jorge Messias teve que responder dizem respeito a atitudes recentes do Supremo Tribunal Federal. Mas o grande derrotado da noite é o presidente Lula, em um aspecto simbólico: cai hoje por terra a mitologia de sua infalibilidade política. Talvez seja a pior derrota da vida política dele em um momento crucial para a definição do quarto mandato.
Daniel Rittner, diretor editorial da CNN em Brasília: Uma avaliação muito debatida pelos senadores é a de que o cenário não é de Alcolumbre reeleito na presidência do Senado em fevereiro de 2027. Vamos ter um Senado certamente mais à direita e com outros alguns pretendentes; Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, é o primeiro deles. Alcolumbre acumulou muito desgaste com a direita – inclusive segurando impeachment de ministro do Supremo -, mas ele se projeta de novo como um interlocutor de confiança. Isso o torna favorito? Não necessariamente, mas o cenário agora lhe parece bem mais aceitável, com um Senado de direita e possivelmente Flávio Bolsonaro (PL) presidente. “E se Lula for o presidente?”. Aí ele vai dizer ao Lula: “vamos zerar o jogo. Você prefere eu ou o Rogério Marinho na presidência do Senado?”.
Thais Heredia, âncora da CNN: Assim como a derrota foi multifatorial, o resultado também tem multiconsequências. Qual é o valor do fio do bigode do político que aceitou receber R$ 12 milhões em emendas, e provavelmente disse “sim” ao governo – porque o governo não iria dizer que tinha voto se não tivesse? O quanto a fragilidade institucional implica na qualidade das decisões que vão ser tomadas? Mesmo que sejam como recados: o quanto as lideranças politicas estão dispostas a atravessar as linhas de respeito à instituição para impor uma pauta em um “momento X”? A minha preocupação hoje não é a costura de amanhã da governabilidade do Lula até o final do governo, mas qual o tamanho da erosão institucional que essa decisão impôs.
Felipe Recondo, jornalista e pesquidador sobre o STF: A oposição sempre pediu que o presidente do Senado abrisse um processo de impeachment contra ministro do STF, e o que Alcolumbre faz é um impeachment de outra forma, com um bloqueio de um candidato indicado pelo governo. Ele dá essa vitória para a oposição – e impõe a derrota para o governo – e talvez pavimente sua reeleição para um próximo mandato como presidente do Senado. E isso faz com que o Supremo tenha uma “segurança” de que pode ter uma segurança institucional, independentemente de quem seja o presidente eleito em outubro. É mais algo da política do que necessariamente uma resposta a uma escolha de Jorge Messias.
ANÁLISE WW: MESSIAS É REJEITADO PELO SENADO EM MEIO À CRISE DO STF
ANÁLISE WW: MESSIAS É JOGADO AOS LEÕES EM MEIO À CRISE NOS PODERES
ANÁLISE WW: DERROTA DE LULA NO SENADO AMPLIA TENSÃO ENTRE PODERES
* Publicado por Henrique Sales Barros
Fonte: CNN Brasil
