Análise: Governo Lula vê interferências dos EUA em quatro frentes

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O governo brasileiro monitora o que considera ser uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026, com foco especial em ações que, na visão do Palácio do Planalto, teriam o objetivo de beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo apuração do analista de Política da CNN Caio Junqueira ao CNN Prime Time quatro frentes distintas são acompanhadas de perto pelo governo.

Pressão política direta e impulsionamento de perfis

A primeira frente monitorada diz respeito a manifestações públicas de Donald Trump e do secretário de Estado Marco Rubio. Caio Junqueira explicou que o governo entende que o modelo a ser adotado no Brasil seria semelhante ao que ocorreu em outros países da América Latina, como Colômbia e Honduras.

“Na véspera praticamente da eleição em Honduras, o Trump foi às redes sociais e conclamou o povo hondurenho a votar no candidato da direita”, relatou Junqueira, acrescentando que a candidata de esquerda acabou ficando em terceiro lugar naquela disputa.

A segunda frente envolve o impulsionamento de perfis pró-Flávio Bolsonaro e pró-direita a partir dos Estados Unidos. Há uma suspeita, compartilhada pela campanha do PT e pelo candidato Renan Santos, de que estaria ocorrendo uma onda de impulsionamentos pagos do exterior em favor de Flávio Bolsonaro.

A campanha de Flávio Bolsonaro nega veementemente essa acusação.

Financiamento via RockBridge e encontros com influenciadores

A terceira frente apontada pelo governo é o suposto financiamento por meio do fundo RockBridge. Essa suspeita vem sendo levantada publicamente por Renan Santos e é endossada pelo PT, que apresentou uma denúncia formal ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo Junqueira, o fundo em questão, chamado RockBridge Network, teria sido fundado, entre outros, por J.D. Vance em 2019 e estaria financiando a candidatura de Flávio Bolsonaro. A campanha de Flávio também nega essa acusação.

A quarta frente identificada pelo governo diz respeito a encontros de autoridades americanas com influenciadores brasileiros de direita, realizados no consulado dos Estados Unidos em São Paulo.

Nesses encontros, teria sido apresentado um entendimento da Casa Branca sobre a questão eleitoral brasileira.

Caio Junqueira destacou ainda que o governo tem utilizado um relatório recente da Abin para justificar o interesse americano nas eleições brasileiras, baseado em dois fatores: o interesse dos EUA em afastar a influência chinesa na América do Sul e a questão da segurança pública, relacionada ao chamado “escudo das Américas” contra o narcotráfico.

Alinhamento ideológico x interferência comprovada

Junqueira fez questão de distinguir dois aspectos da situação.

“O que é um alinhamento ideológico natural do bolsonarismo com o trumpismo, isso ocorre, confirmado por eles mesmos. E outra coisa é esse alinhamento ideológico descambar para algum tipo de financiamento que, inclusive, é vedado pela legislação eleitoral”, afirmou o analista.

Dentro do governo e do Palácio do Planalto, a crença de que a interferência está em curso é descrita como muito presente e crível, com expectativa de que as ações se intensifiquem até o segundo turno das eleições.

Fonte: CNN Brasil

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