Com o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da PF (Polícia Federal), o delegado William Marcel Murad deve assumir temporariamente o comando da corporação. O delegado exercia até então a função de diretor-executivo da PF, sendo considerado o número dois da instituição.
No início da manhã desta terça-feira (8), o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o afastamento de Andrei da direção-geral da PF. A medida ocorre em meio à crise na Suprema Corte envolvendo também o ministro Alexandre de Moraes.
Durante evento na Academia Nacional da Polícia Federal, Murad discursou para novos alunos do curso de formação da corporação e defendeu o colega: “Aqui, reafirmamos a nossa total confiança na direção-geral, no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues”.
A fala ocorreu cerca de 1h após a informação do afastamento de Andrei Rodrigues. “Temos o dever de defender a nossa instituição de ataques e da tentativa de usurpação de funções”, apontou Murad.
O chefe da corporação afastado chegou a ir até o local onde ocorreu o evento, mas saiu antes do início da agenda após ter sido informado da decisão do ministro André Mendonça.
William Marcel Murad é delegado de Polícia Federal e exercia o cargo de diretor-executivo da PF desde janeiro de 2025. Ele foi aprovado na corporação em 2002. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP),Murad foi adido da PF no Reino Unido e Irlanda do Norte entre novembro de 2021 e dezembro de 2024
Além disso, o delegado foi diretor de Tecnologia da Informação e Inovação entre maio de 2018 e maio de 2021. Também exerceu os cargos de coordenador-geral de Tecnologia da Informação e coordenador-geral de Inteligência.
Ao longo da carreira, chefiou a Delegacia de Polícia Federal em São José do Rio Preto (SP), a Divisão de Repressão a Crimes Fazendários e unidades ligadas ao combate ao crime organizado, à inteligência policial e à repressão a entorpecentes no Rio Grande do Norte e em Pernambuco.
Afastamento de Andrei
A decisão de André Mendonça pelo afastamento de Andrei Rodrigues ocorre após Moraes ter utilizado relatórios de inteligência da Polícia Federal para apontar possíveis crimes de abuso de autoridade atribuídos a Mendonça na condução da relatoria do Banco Master e das fraudes do INSS.
Segundo Mendonça, os relatórios revelam um “monitoramento sistemático e ilegal”, realizado por mais de 30 dias, sobre sua atuação e a de outras autoridades, como o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A decisão aponta ainda que os relatórios teriam exposto a Moraes e a terceiros detalhes de processos que tramitavam sob segredo de justiça.
“A suspensão cautelar de função pública é constitucionalmente admissível quando fundada em elementos concretos, submetida à proporcionalidade e destinada a neutralizar risco efetivo à persecução penal ou de utilização indevida das prerrogativas funcionais”, diz o ministro na decisão.
Mendonça determinou ainda que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos investigatórios, nas esferas penal e administrativo-disciplinar, para apurar os fatos. A investigação deverá identificar quem determinou a produção dos relatórios, quem os elaborou, quando foram produzidos e se existem outros documentos semelhantes.
Fonte: CNN Brasil
