A postura de Zema no evento, contudo, contrasta com as duras críticas que ele mesmo desferiu recentemente. Em entrevista à Brasil Paralelo, o político mineiro havia subido o tom contra o senador do PL, classificando o episódio dos áudios como “um tapa na cara dos cidadãos de bem” e afirmando que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela”.
Ao dizer, na ocasião, que “é imperdoável ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro”, Zema teve um tom diferente do adotado hoje, de uma coalizão ampla contra a esquerda. “Ninguém aqui vai subir em palanque de PT não, quem é da direita”, comparando com as eleições chilenas de 2025, quando os candidatos da direita se uniram no segundo turno para apoiar José Antonio Kast contra a rival progressista Jeannette Jara.
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
No centro do furacão, Flávio Bolsonaro usou seu painel para tentar conter os danos e classificar as conversas gravadas com Daniel Vorcaro como “iniciativas de ordem estritamente privada”.
Pressionado sobre os áudios que revelaram pedidos de cifras milionárias para o financiamento do filme “Dark Horse”, ficção inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro, o senador minimizou o tom das mensagens. “Minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Não há absolutamente nada de errado.”
A narrativa de “mero investimento privado” ganhou o reforço e a ironia de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também implicado em planilhas que sugerem sua influência na gestão e no destino dos recursos da produção no exterior.
Eduardo minimizou as suspeitas levantadas por investigações jornalísticas sobre o repasse de mais de US$ 10 milhões (cerca de R$ 50,8 milhões) por meio de fundos internacionais. “O valor pode ser o valor que quiser. O dinheiro é seu? É do pagador de impostos? O dinheiro é meu”, reagiu o ex-parlamentar.
Para além da crise financeira e das frentes jurídicas abertas, Flávio tentou reatar sua agenda internacional com o eleitorado conservador. Ele revelou ter feito gestões diretas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para tentar aliviar barreiras comerciais. “Pedi a Washington que não houvesse tarifação das empresas brasileiras”, afirmou, emendando uma defesa à proposta de Donald Trump de classificar facções brasileiras, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na categoria de organizações terroristas. “É natural que qualquer presidente que realmente queira derrotar se alie e faça pactos com outras nações”, justificou.
Quem também calibrou o discurso com base no cenário de crise foi o senador Sergio Moro (PL-PR).
Recém-filiado ao partido da família Bolsonaro para disputar o governo paranaense, o ex-juiz da Lava Jato adotou uma postura de distanciamento protocolar ao comentar a situação do colega de bancada. “O senador Flávio Bolsonaro já apresentou as explicações e assinou os pedidos de investigação. Vamos aguardar os desdobramentos”, pontuou.