Lula abre 6 pontos no 2º turno após queda de apoio a Flávio entre jovens e evangélicos

Política

Lula abre seis pontos sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, impulsionado pela perda de apoio do senador em segmentos-chave após revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e o impacto político de medidas recentes anunciadas pelos EUA.
De acordo com a pesquisa Quaest, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu uma vantagem de seis pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno. O detalhamento da pesquisa indica que essa virada está ligada a perdas do senador em segmentos decisivos, especialmente no Sudeste, entre jovens, mulheres, evangélicos e eleitores de renda mais alta.
Desde março, os dois pré-candidatos apareciam empatados tecnicamente, mas em junho o presidente passou a marcar 44% contra 38% do pré?candidato do Partido Liberal (PL), movimento que coincide com novos fatos políticos e mudanças regionais e demográficas relevantes.

A revelação da relação financeira entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro preso Daniel Vorcaro, que repassou ao menos R$ 61 milhões ao senador para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro — que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, tornou-se um dos principais acontecimentos entre as duas rodadas.

No mesmo período, os Estados Unidos, sob Donald Trump, classificaram o Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas e elevaram tarifas sobre produtos brasileiros, medidas anunciadas logo após a visita de Flávio a Trump e a autoridades norte-americanas, como o secretário de Estado, Marco Rubio.
Regionalmente, a queda de Flávio é mais acentuada do que o avanço de Lula, segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes. No Sudeste, onde o senador já liderou com 12 pontos, ele agora aparece em empate técnico com o presidente, que mantém tendência de alta desde abril. No agregado Centro?Oeste/Norte, Flávio oscilou oito pontos para baixo e viu sua vantagem de 14 pontos desaparecer, resultando também em empate técnico.
Entre os recortes por idade, Lula passou a liderar numericamente em todas as faixas. A virada mais expressiva ocorreu entre jovens de 16 a 34 anos, único grupo em que Flávio mantinha vantagem até maio. Nas demais faixas, o presidente preservou ou ampliou sua posição, enquanto o senador registrou pequenas quedas.

O eleitorado feminino, historicamente mais resistente ao bolsonarismo, também contribuiu para a mudança de cenário. A vantagem de Lula entre as mulheres aumentou após os acontecimentos de maio. Entre os homens, Flávio ainda aparece numericamente à frente, mas a diferença caiu de oito pontos para um, dentro da margem de erro.

Entre evangélicos, um dos pilares do bolsonarismo, Flávio perdeu nove pontos em um mês. Embora siga liderando nesse segmento, sua vantagem sobre Lula caiu de 37 para 21 pontos, indicando desgaste em um grupo que costuma apresentar maior estabilidade.
A renda e a escolaridade também mostram movimentos desfavoráveis ao senador. Entre quem ganha entre dois e cinco salários mínimos, a vantagem se inverteu a favor de Lula. Entre os que recebem mais de cinco salários, Flávio caiu de 51% para 46%. Na escolaridade, Lula lidera entre eleitores com Ensino Fundamental e alcançou empate técnico entre quem cursou Ensino Médio e Superior — neste último grupo, Flávio perdeu 12 pontos de vantagem em um mês.
Para Felipe Nunes, a mudança não decorre de um crescimento expressivo de Lula, mas de uma perda de tração de Flávio Bolsonaro entre segmentos independentes, que não se identificam necessariamente com o lulismo. Segundo ele, acompanhar esses grupos nas próximas rodadas será essencial para entender se há uma mudança estrutural no comportamento de eleitores menos alinhados ideologicamente.

Fonte: HOJE BAHIA

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *