Para Nogueira, Flávio tem a eleição “viabilizada”, mas enfrenta um adversário de peso.
“Ele está enfrentando o líder político de maiores vitórias da nossa história, que é o Lula, foi eleito três vezes. Tem um eleitorado cativo muito forte, e a eleição vai ser decidida na margem de erro”, disse.
Por isso, na avaliação do senador, trata-se de uma disputa que “não se pode errar”, e a vitória está diretamente relacionada ao tom do discurso.
“O candidato que vai ganhar essa eleição é o candidato que venha a falar para a maioria, para as pessoas que querem unificar o país. Se o Flávio tiver esse discurso, ele tem tudo para ganhar essa eleição. Depende dele”, afirmou. “Se ele vier com um discurso para a extrema-direita, com certeza ele vai perder a eleição.”
Ao ser questionado se o PP já considera garantida a vaga na chapa, Nogueira não respondeu à pergunta e ressaltou que, para a federação, mais importante “é ganhar as eleições. Fazer um projeto consistente para o nosso país”, disse.
Ele afirmou que a aliança PP-União Brasil não apoiará nenhum candidato por razões de cargo.
“Vamos apoiar um candidato que tenha a capacidade de criar esse projeto vencedor para o Brasil. Lógico, se dentro dos nossos quadros tiver alguém que possa nos levar a ganhar a eleição, seria muito bom. Mas o mais importante, pelas conversas que tenho com o presidente [do União Brasil, Antônio] Rueda, é um projeto vencedor para o Brasil.”
Questionado sobre Tereza Cristina (PP-MS) como possível vice, Nogueira elevou o nome da senadora ao topo da hierarquia política.
“Tereza Cristina era o melhor nome para ser presidente da República. É um nome mais do que qualificado”, afirmou. “Se ela tivesse sido candidata a vice do presidente [Jair] Bolsonaro na eleição passada, nós teríamos ganhado aquela eleição.”
Sobre a estratégia do governador Romeu Zema (Novo-MG) de confrontar o Supremo Tribunal Federal (STF), Nogueira reconheceu apelo popular na postura, mas relativizou seu peso eleitoral.
“Existe um viés, grande parte da população tem esse sentimento. Mas acho que o presidente da República não deve ser eleito por conta disso. Nós temos que ter um debate muito maior para o nosso país”, avaliou.
Sobre o risco de Zema disputar votos com Flávio, o senador opinou ser improvável qualquer candidato hoje querer criar uma terceira via no nosso país. “O processo eleitoral está muito consolidado entre Flávio e Lula”, disse ele.
No plano estadual, Nogueira confirmou apoio do PP à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e disse que deve vir a São Paulo na próxima semana para anunciar formalmente o apoio. Sobre as vagas ao Senado por São Paulo, defendeu concentração em torno do nome do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite.
“O que a gente quer é unificar o quadro do centro e da direita. Se nós tivermos dois candidatos ao Senado únicos, a chance de vitória é muito grande”, disse, ao ser questionado sobre os nomes de Ricardo Salles.
“Com argumentos e critérios, a gente vai chegar a esse consenso.” Por fim, Nogueira descartou qualquer interesse na vice de Flávio. “Sou candidato, tenho a minha missão no meu estado. Se eu tivesse de optar entre o Piauí e o Brasil, mil vezes o Piauí”, afirmou.
PSOL: Flávio tem ‘submissão’ ao governo dos EUA
Já a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, criticou no mesmo evento a posição de Flávio Bolsonaro em relação às terras raras brasileiras.
“Nossa posição é que as terras raras sejam usadas para desenvolvimento da indústria brasileira, que ela seja usada a benefício do Brasil”, disse.
A declaração de Coradi tem como pano de fundo a polêmica em torno da afirmação de Flávio Bolsonaro de que “o Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido”, e que o país “é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras”.
A fala foi classificada pelo ministro Guilherme Boulos, do próprio PSOL, como “o fato mais grave das eleições de 2026 até aqui”.
“Essa declaração do Flávio Bolsonaro é só mais uma demonstração do comprometimento que eles têm com o governo norte-americano e que eles não têm compromisso nenhum com o Brasil e muito menos com o discurso nacionalista. É só uma demonstração da submissão que eles pretendem deixar o Brasil em relação aos Estados Unidos”, disse Paula, questionada pela Sputnik Brasil em coletiva.
Coradi e Ciro Nogueira participaram de um jantar promovido pelo grupo Esfera Brasil, think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva, com objetivo de fomentar o diálogo entre os setores público e privado.