Paródia acerca de um ‘tosquiador de almas’

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Sobre um poderoso trio-elétrico, sonhando com o inferno, um Pastor, formador de opinião da direita brasileira vê-se cercado de correligionários que o vangloriava e aplaudia. Como era versado na manipulação de espíritos-de-porco, começou um discurso:

— É com inenarrável prazer que me dirijo a você correligionário e colega da mesma fé. Hoje reunimos aqui a nata de nossa empreitada para dominar primeiro o Brasil, depois o mundo. Só aqui me vejo cercado pela unidade de sentimento. Só aqui sei que estamos todos trabalhando por um único ideal. Acabar com o idealismo dos coitadinhos que brigam pela alegria dos miseráveis e mendigos, dos que lutam pelo SUS e pelo Bolsa-Família, dos que querem trabalhar por apenas 40 horas por semana. E nós, os milionários, como ficamos? Teremos que parar de ostentar? Teremos que deixar de trabalhar apenas três dias por semana ou menos, para quê? Para que eles possam curtir um fim-de-semana? Para que eles defendam seus fracos preferidos? Para quê? Para ver que dando-lhes liberdade eles poderão arruinar nossos ganhos com vícios de três refeições ao dia?

Mas tenho boas novas: com o crescimento das mídias digitais com seus logaritmos a nosso favor e o apoio da mídia oligopolizada, ainda mais com a liberdade da ‘Indigência Artificial’, qualquer um de nós poderá criar uma realidade paralela para mantê-los na ignorância. Poderemos inventar a “fonte” que quisermos para afirmar nossas mentiras em todos os canais e elas estarão nos celulares, rádios e TVs por todo o Brasil. Poderemos reeditar a ideia que a esquerda quer colocar em cada casa ou apartamento do “Minha Casa, Minha Vida” um banheiro unissex. E, nas escolas públicas, as cartilhas virão redigidas em Chinês.

Com essas novas mídias e tecnologias eles nos dispuseram a facilidade de multiplicar milhões e milhões de vezes as informações formadoras de demência, dos enganos, das mentiras e do terror. Fonte do orgulho e mãe da trágica dúvida.

Vitória! Não demora e a loucura, dúvida, intranquilidade e novas necessidades alastrar-se-ão e todos serão infectados por este veneno sedutor. Está presente o tempo que os pensamentos e opiniões de ousados renovadores preenchem os céus e a terra, cujos ensinamentos, pela facilidade de comunicação atingirão até a choça do mendigo que, tenho certeza, defenderá, com unhas e dentes as ‘verdades’ que quisermos.

Eles até pensarão que estão a serviço da humanidade e que nossa mensagem de salvação com a extinção de povos milenares seja coisa comum, como por exemplo, bombardear escolas e hospitais.

Quando e por quanto tempo é o homem capaz de praticar o bem? O homem é tentado mais facilmente por abusos e más ações em nome das mais lídimas aspirações. Bastou elegermos um dos nossos para que o “povo escolhido” através de uma terrível vontade vinda da ganância, está a provocar guerras sangrentas, genocídios por ideias que ninguém entende.

O homem tornou comum horrores que superam qualquer loucura que as histórias diatópicas em livros e filmes de terror tenham previsto.

Escutai-me: essa nova loucura será uma guerra religiosa como nunca houve igual na historia dos crimes das outras monstruosidades do homem. O fanatismo, selvagem filho do ódio e a superstição dissolverão, então, por completo, todos os vínculos naturais e humanos. Em nome da ideologia imposta, pais matarão os filhos e filhos matarão os pais. Tiranos mancharão sadicamente suas mãos com o sangue de seus seguidores, espalharão armas de vários calibres e criarão escolas de tiro, financiadas por deputados e senadores, a todos os fanáticos violentos para que eles matem seus irmãos aos milhares só porque eles divergem de sua opinião. Já os vejo investindo contra juízes que procuram salvar a estrutura abalada através da astúcia e da mentira, enquanto ele se afunda no vicio e na opulência.

Só nós, da direita, podemos abusar de tudo que temos. De tudo que sentimos, vimos, provamos e pensamos. Nossos seguidores serão conduzidos pela fantasia e pelo fanatismo a ponto de trocar seus bem mais preciosos, paz e liberdade, que custou a muitos homens bons rios de sangue, pela fantasia de enriquecerem facilmente e puderem desfrutar de suas ilusões. É só continuarmos a ensiná-los a pisotear a verdade e manter-se na fé. Mal sabem eles que os iludimos falando dos lobos, quando quem tosquia e comem as ovelhas somos nós!

(Paródia de um trecho das “Aventuras de Fausto no Inferno” de Friedrich M. Kinger).



Fonte: HOJE BAHIA

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