Cadum Guimarães, ex-jogador de basquete que atuou como armador ao lado de Oscar Schmidt na Seleção Brasileira, compartilhou memórias sobre sua parceria com o ídolo do basquete brasileiro que faleceu na última sexta-feira (17).
Em entrevista à CNN Brasil neste sábado (18), Guimarães destacou que o título pan-americano conquistado em 1987, em Indianápolis, evidenciou o lado autêntico e a liderança de Oscar.
“Eu acho que ficou mais latente o lado autêntico do Oscar, o lado de personalidade, de comando, de liderança que a gente já tinha a convivência no dia a dia, mas isso ele passou pra todo mundo e trouxe o time e toda a geração junto com ele”, contou.
Segundo Cadum, o principal legado deixado por Oscar foi o desejo de sempre querer ser um vencedor e fazer o melhor. “Acho que esse foi o legado mais importante que ele deixa, de querer ser sempre um vencedor, de querer fazer o melhor sempre. Esse jogo foi o ápice desse lado de ser vencedor, de querer sempre mais. E o Oscar sempre foi um exemplo nesse sentido”, afirmou o ex-jogador.
Convivência e parceria dentro das quadras
Cadum revelou que sua conexão com Oscar foi construída ao longo de muitos anos de convivência. “A gente tinha 16 anos quando nos conhecemos. Isso foi em 1976, nós estamos falando do Pan-Americano, em 1987. Então, foram 11 anos convivendo quase que diariamente com ele, fizemos faculdade juntos”, relembreou.
O ex-armador explicou que essa proximidade facilitava seu trabalho nas quadras: “A gente tinha dois laterais fantásticos, Oscar e Marcel, então eu nessa posição de armador, alimentava os dois que estavam sempre prontos para receber. E o Oscar sempre presente para estar recebendo o passe, não era muito difícil armar o jogo com o Oscar não, porque ele estava sempre pronto e sempre muito vertical para a cesta”.
Personalidade e força interior
Quando questionado sobre o que diferenciava Oscar Schmidt de outros jogadores, Cadum a capacidade de Oscar de sempre querer conquistar mais.
“Eu acho que é o lado da personalidade dele. Como eu falei, de ser um cara muito autêntico. Não está preocupado com inimizades, ele falar o que ele achava certo, defender o seu grupo. Eu acho que isso trouxe pra ele essa capacidade de querer cada vez mais“, explicou.
Segundo o ex-atleta, essa força interior impressionante de Oscar foi transmitida para toda uma geração de jogadores. “Ele conseguiu trazer isso pra geração toda. Então eu acho que isso que é super importante, foi super importante nele, de querer sempre mais, não estar contente com nenhuma situação”, destacou.
Legado para o basquete brasileiro
Sobre o legado de Oscar para o basquete brasileiro, Cadum demonstrou preocupação com a necessidade de aumentar o número de praticantes do esporte no país.
“A gente precisa buscar mais quantidade de praticantes. E num país continental como o nosso é muito difícil, então às vezes a gente acaba perdendo um talento que nasceu em Rondônia, que não teve nenhuma oportunidade de chegar num time pra treinar”, lamentou.
Apesar das dificuldades, o ex-jogador se mostrou otimista quanto ao futuro do basquete brasileiro após a morte de Oscar.
“Eu tenho certeza que ele trouxe durante quase mais de 50 anos de carreira, praticantes para o basquete. Tenho certeza que apesar desse momento ruim, difícil, cruel da morte dele, isso também vai acabar trazendo mais gente pro basquete”, concluiu.
Fonte: CNN Brasil
