Para muitos homens, perder cabelo já não é apenas uma questão estética. A queda capilar pode afetar autoestima, confiança e até relações sociais — o que ajuda a explicar por que a busca por tratamento tem começado cada vez mais cedo.
Essa procura por cuidados capilares não se concentra só na cirurgia, mas também em alternativas menos invasivas para conter a queda. Segundo a ISHRS (International Society of Hair Restoration Surgery), homens já respondem por 84,7% dos pacientes cirúrgicos no mundo, e a demanda por tratamentos não cirúrgicos cresceu 30% desde 2021.
No Brasil, esse movimento se reflete no crescimento do mercado de saúde, estética e bem-estar. Segundo a rede Homenz, com 82 clínicas em funcionamento no país, cerca de metade dos atendimentos realizados em suas unidades está relacionada à saúde capilar.
Entre as abordagens cirúrgicas, a extração de FUE (unidades foliculares, da sigla em inglês) é hoje a mais utilizada. Segundo a ISHRS, ela responde por cerca de 80% dos procedimentos no mundo. No Brasil, o transplante capilar não exige internação hospitalar, mas precisa ser realizado em clínica com estrutura cirúrgica adequada.
A busca pelo procedimento não só cresce, como está sendo realizada mais cedo. Os dados do censo de 2025 da ISHRS mostram que 95% dos pacientes que fizeram cirurgia capilar pela primeira vez em 2024 tinham entre 20 e 35 anos.
Por que a queda de cabelo passou a preocupar mais os homens?
Para a Angela Helena Perretto, médica e diretora técnica nacional da rede Homenz, a procura por tratamentos capilares deixou de ser movida apenas pela vaidade para se consolidar como uma busca essencial por saúde, autoestima e bem-estar, o que tem levado os pacientes a procurar avaliações precoces.
Em um comunicado de imprensa, ela atribui a procura pelos tratamentos a uma conjunção de três fatores principais: mudança de comportamento dos homens (que deixaram de ser espectadores passivos do próprio envelhecimento), maior acesso à informação e evolução das técnicas disponíveis.
Um fenômeno mais recente foi apontado pela própria ISHRS: o aumento do tempo em videochamadas de trabalho, batizado pela entidade de “efeito Zoom”, tornou homens mais atentos à própria imagem na tela e tem sido citado como gatilho para a busca por tratamento capilar em parte dos consultórios pesquisados.
Quando o transplante é indicado — e quando não é?
Nem todo caso de queda capilar exige cirurgia. Conforme Perretto, quando ainda existem folículos ativos, tratamentos clínicos como a MMP (microinfusão de medicamentos na pele) e o uso de capacete de LED podem estimular o crescimento dos fios e conter o avanço da calvície sem procedimento cirúrgico.
Já em áreas com perda definitiva de folículos, o transplante costuma ser a alternativa mais indicada. A FUE, que extrai os fios um a um, substituiu a antiga FUT (“técnica da tira”), associada a cicatriz linear e recuperação mais longa. Hoje, o pós-operatório tende a ser mais leve e permite retomar a rotina em poucos dias.
Não há um protocolo único para decidir entre tratamento clínico e cirurgia. Isso depende da causa da queda, do estágio da calvície e de uma avaliação médica individual. Por isso, especialistas recomendam diagnóstico profissional antes de iniciar qualquer tratamento, inclusive os não cirúrgicos.
O aumento da procura por tratamentos capilares é real — e vem acompanhado de uma mudança importante: o tema deixou de ser tabu. Hoje, falar sobre queda de cabelo é mais comum, e a busca por soluções passa a fazer parte da rotina — com espaço também para orientação profissional.
Fonte: CNN Brasil