A advogada Soraia Mendes e o empresário Leonardo Bortoletto debateram, na quinta-feira (21), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se a PGR deve rejeitar a delação de Vorcaro, como fez a PF?
A PF (Polícia Federal) rejeitou a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, preso desde 4 de março por fraudes financeiras. Segundo informações apuradas, a corporação entendeu que o ex-banqueiro não trouxe novidades em relação ao que os investigadores já haviam reunido. As negociações, no entanto, seguem com a PGR (Procuradoria-Geral da República), que ainda demonstra resistência ao acordo.
A avaliação de quem acompanha as tratativas é de que as resistências fazem parte do processo de negociação. Na atual fase, o processo envolve ofertas, contra-ofertas e uma barganha entre a PGR e os advogados de Vorcaro. Como titular da ação penal, a PGR tem prerrogativa para conduzir a negociação de forma independente da PF e seguir com as tratativas mesmo diante da recusa da Polícia Federal. Caso o órgão decida rejeitar a colaboração, a tendência é de que as negociações sejam encerradas.
Debate sobre a validade da delação
A advogada Soraia Mendes destacou a importância de compreender os passos preliminares que envolvem uma colaboração premiada. “A delação premiada demanda uma série de passos que são passos preliminares”, afirmou. Segundo ela, o processo envolve conversações e o oferecimento de informações que precisam ser verdadeiramente relevantes para a resolução de dúvidas surgidas ao longo da investigação ou capazes de conduzir a novos rumos investigativos.
Soraia Mendes ressaltou ainda que a apreensão dos aparelhos celulares de Vorcaro representa um elemento central no caso. “Não foi só um único celular, um único aparelho de Vorcaro que foi apreendido”, observou. Para a advogada, muito do que o ex-banqueiro poderia revelar em uma delação já poderá ser transformado em prova documental a ingressar nos autos de um eventual processo, o que torna o cenário ainda mais complexo para a avaliação da pertinência do acordo.
PGR deve seguir o mesmo caminho da PF?
Leonardo Bortoletto manifestou entendimento de que a PGR deve rejeitar a delação nos moldes em que foi apresentada, assim como fez a Polícia Federal. “Eu entendo que a Polícia Federal faz a rejeição dos argumentos colocados naquele documento porque eles não colaboram efetivamente, eles não trazem verdadeiras novidades”, afirmou. Bortoleto classificou positivamente a postura da PF de não aceitar informações insuficientes.
O empresário acredita que Vorcaro ainda teria muito a acrescentar além do que consta nos celulares apreendidos. “Eu duvido que somente nos aparelhos de celulares seja o suficiente e nada mais se tenha a acrescentar”, disse. Segundo ele, reuniões reservadas e encontros não registrados podem ter sido determinantes para a consumação do que classificou como “o maior crime financeiro da história desse país”, e é exatamente esse tipo de informação que a PF e a PGR buscam obter.
Fonte: CNN Brasil