Dizem por aí – adoro o “dizem”, essa entidade misteriosa que nunca mostra a cara – que mulheres casadas engordam mais do que as solteiras. Não sei quem foi o estatístico responsável por essa descoberta revolucionária, mas imagino que tenha feito a pesquisa sentado confortavelmente… provavelmente no sofá, com um pacote de ‘chips’ ao lado.
Levei essa tese para casa, com o cuidado de quem transporta nitroglicerina emocional em uma caixa de sapato. Minha esposa ouviu, me olhou com aquela serenidade que antecede grandes verdades – ou grandes perigos – e respondeu sem hesitar:
– Claro. A solteira chega em casa, olha a geladeira e vai para a cama. A casada olha a cama e vai para a geladeira.
E ali, meus amigos, não havia argumento. Havia filosofia.
Porque o casamento, ao contrário do que dizem as telenovelas mexicanas, não é apenas a união de duas almas. É também a convivência diária com roncos, cobertas puxadas indevidamente, travesseiros sequestrados e, em alguns casos mais críticos, pés frios encostando de surpresa às três da manhã – o que deveria ser classificado como crime hediondo.
A cama, que na solteirice é promessa, no casamento vira realidade. E toda realidade, convenhamos, tem seus descontos.
Já a geladeira… (ah, a geladeira) permanece fiel. Silenciosa. Iluminada. Sempre pronta a oferecer um pedaço de consolo em forma de queijo, um carinho em forma de pudim esquecido ou até mesmo aquele arroz de ontem que, misteriosamente, parece melhor às onze da noite.
A geladeira não ronca. Não disputa espaço. Não reclama da posição. E, sobretudo, não pergunta: “você já está dormindo?” exatamente no momento em que você estava quase conseguindo.
Talvez o ganho de peso não seja sobre comida. Talvez seja sobre escolhas. Sobre pequenas decisões noturnas entre o previsível e o acolhedor, entre o colchão compartilhado e a porta que se abre com uma luz interna quase divina.
No fim das contas, o casamento é isso: um eterno equilíbrio entre o amor e o lanche.
E se me permitem uma conclusão científica – tão confiável quanto a pesquisa inicial – diria que não é que as casadas engordam mais.
É que elas aprenderam onde, de fato, mora o conforto.
E, convenhamos, às vezes ele vem com um pedaço de bolo. Ou pudim.
Fonte: HOJE BAHIA
