O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) lideram a disputa pelo Senado em São Paulo, mostra nova pesquisa Datafolha. O levantamento também indica que possíveis candidatos do campo progressista pontuam melhor do que os da direita.
O levantamento foi feito antes de Haddad definir, nesta semana, que deixará a pasta da Fazenda para ser candidato ao Governo de São Paulo.
Em 2026, o eleitor votará em dois nomes para o Senado, que será renovado em dois terços. O instituto testou dois cenários para a disputa, cada um com dez possíveis candidatos.
No primeiro, sem Alckmin, Haddad aparece à frente com 30% das intenções de voto. Em seguida, despontam outros ministros do governo Lula (PT) — Simone Tebet (MDB), com 25%, Márcio França (PSB), com 20%, Marina Silva (Rede), com 18%, e Guilherme Boulos (PSOL), com 14%.
Dentre os pré-candidatos da direita, os mais bem posicionados são os deputados federais Guilherme Derrite (PP), com 14% das intenções de voto, e Ricardo Salles (Novo), com 13%.
Depois aparecem os deputados federais Paulinho da Força (Solidariedade), com 10%, e Rosana Valle (PL), nome apoiado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com 7%. O deputado estadual Gil Diniz (PL), um dos preferidos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), tem 3% das intenções de voto.
Outros 4% dizem que não sabem em quem votarão para a primeira vaga, enquanto 15% afirmam que pretendem votar em branco ou nulo. Para a segunda vaga, 6% estão indecisos, e 21% dizem que votarão em branco ou nulo.
O levantamento foi realizado de 3 a 5 de março. Foram 1.608 entrevistas em todo o estado de São Paulo, distribuídas em 71 municípios, com a população de 16 anos ou mais. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE: BR-06798/2026 e SP-04136/2026.
Como mostrou a Folha, o mais provável é que as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento) sejam as candidatas do campo lulista ao Senado, por São Paulo, na chapa de Haddad.
No primeiro cenário desenhado pelo Datafolha, 58% dos que pretendem votar em Lula para presidente escolhem Haddad para o Senado, e 38% vão com Tebet. A maior parte dos potenciais eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, diz que votaria em França (27%), Derrite (27%) e Salles (25%).
Os eleitores que indicam voto em Tarcísio de Freitas para o governo, por sua vez, manifestam preferência por França (26%), Derrite (28%) e Salles (24%).
No segundo cenário testado pelo instituto, sem Haddad, Alckmin lidera com 31% as intenções de voto ao Senado. Ele é seguido pelos ministros Tebet, com 25%, Marina, com 21%, França, com 20%, e Boulos, com 15%.
Depois aparecem Salles e Derrite, ambos com 13%, Paulinho da Força, com 9%, Rosana Valle, com 6%, e Gil Diniz, com 3%.
Nesse cenário, outros 4% dizem que não sabem em quem votarão para a primeira vaga, enquanto 14% afirmam que pretendem votar em branco ou nulo. Para a segunda vaga, 6% estão indecisos, e 20% dizem que votarão em branco ou nulo.
Se a esquerda ainda não bateu o martelo sobre quais candidatos disputarão o Senado, a direita também segue dividida em relação à segunda vaga. A primeira já está consolidada com Derrite, que foi secretário do governo Tarcísio e conta com seu apoio.
Segundo lideranças do campo, havia um acordo para que a segunda vaga ficasse com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cenário mudou depois que Eduardo se autoexilou nos Estados Unidos e passou a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal por ter atuado para que o governo de Donald Trump aplicasse sanções a autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre de Moraes.
Desde então, aliados defendem que o filho do ex-presidente deveria ter a preferência para indicar um candidato no seu lugar. Além de Gil Diniz, que foi seu assessor, o ex-deputado já citou os nomes da vereadora Sonaira Fernandes, que também trabalhou para ele, e do deputado federal Mario Frias (PL).
Mais recentemente, como noticiou a coluna Painel, Bolsonaro teria manifestado apoio ao coronel Mello Araújo (PL), vice-prefeito de São Paulo.
Salles também tem afirmado que não desistirá da disputa, mas aliados do ex-presidente afirmam que, depois do rompimento entre os dois, seria muito difícil que o deputado conseguisse aglutinar o apoio dos partidos de direita à sua candidatura.
Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO
