Neste Dia Mundial da Obesidade, dados do Ministério da Saúde e a opinião de especialistas mostram que a ciência e a gestão pública andam de mãos dadas para o tratamento da doença. Em quase duas décadas, entre 2006 e 2024, o Brasil enfrentou uma alta de 118% dos casos de obesidade entre adultos, enquanto o diabetes cresceu 135%. Para Luiz Cláudio, pediatra especialista em endocrinologia pediátrica, o problema pode começar na infância. Por isso, o foco deve mudar do tratamento para o monitoramento, envolvendo família e gestores públicos. A prevenção e o envolvimento são armas mais eficazes que intervir apenas quando o excesso de peso já está consolidado, explica o professor da Universidade de Brasília.
‘É importante que a escola também ensine para a criança questões de hábitos saudáveis, porque muitas vezes as crianças levam esse conhecimento e mudam a rotina de casa. É importante que o pediatra, durante as consultas médicas, também faça esse tipo de orientação. Na verdade, a gente não deve conversar sobre obesidade só quando a gente está diante de uma criança, de um adolescente que já tenha excesso de peso. Para evitar que o excesso de peso aconteça”.
Um sinal de alerta é a dissociação entre o ganho de peso e a estatura da criança. O diálogo com o pediatra é central na identificação precoce de desvios na curva de crescimento. Na maioria dos casos, a obesidade é resultado da interação entre o ambiente e a genética, e costuma vir acompanhada de um crescimento acelerado da altura. Já a obesidade ligada a distúrbios hormonais representa menos de 5% dos casos e geralmente a criança que ganha peso pode apresentar déficit de crescimento, segundo o professor Luiz Cláudio.
“Podemos classificar o excesso de peso, a obesidade entre exógena e endógena. Endógena é aquela situação em que o excesso de peso aconteça por desregulação hormonal ou por doenças que possam estar por trás desse processo. Isso corresponde a menos de 5% das situações. A maior parte é a obesidade exógena, quer dizer, ela é o resultado da influência entre fatores ambientais, predisposições genéticas”.
Há inclusive grupos de risco específicos, como crianças pequenas para a idade gestacional e que podem ter tendência biológica maior de ganho de peso futuro. Por causa da gravidade do problema, o comitê gestor da estratégia de prevenção da obesidade do governo federal se reuniu em fevereiro para colocar em prática o enfrentamento da obesidade. Quinze ministérios foram mobilizados para um plano com 90 ações e deram início à elaboração de recomendações para que estados e municípios realizem ações locais para criar ambientes alimentares mais saudáveis.
Fonte: HOJE BAHIA
