O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter recebido uma carta do magnata da música Sean Combs, conhecido como P. Diddy, na qual o artista pede indulto presidencial. A informação foi dada pelo chefe do Executivo norte-americano em entrevista ao The New York Times nessa quarta-feira (7/1) e publicada nesta quinta (8/1).
De acordo com Trump, Combs fez a solicitação “por meio de uma carta”. Questionado sobre quando o documento teria sido enviado, o presidente desconversou e chegou a dizer aos repórteres: “Ah, você gostaria de ver essa carta?”. Ele não apresentou o conteúdo e reforçou que não pretende conceder o indulto.
Segundo o presidente norte-americano, no entanto, o pedido não está sendo considerado.
Sean Combs, de 56 anos, foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão imposta pelo Tribunal Federal de Manhattan, em Nova York. A condenação se refere a acusações ligadas ao transporte de mulheres com fins de prostituição, com base na Lei Mann, que proíbe o deslocamento de pessoas entre estados para exploração sexual. Combs, no entanto, foi absolvido das denúncias mais graves que pesavam contra ele, incluindo tráfico sexual e conspiração para extorsão.
Trump e Sean Combs se conheciam socialmente antes de o republicano se candidatar à presidência. O presidente já afirmou que a relação se deteriorou após críticas feitas por Combs ao seu primeiro mandato. Em entrevista à emissora Newsmax no ano passado, Trump disse que os dois eram próximos, mas que a postura mudou com o tempo. “Eu era muito amigável com ele. Me dava muito bem com ele e ele parecia ser um cara legal”, afirmou. “Mas quando me candidatei ao cargo, ele foi muito hostil.”
Segundo Trump, essas críticas tornam a concessão de um eventual indulto ainda mais difícil.
Indulto a outros condenados
Durante a entrevista, Trump também foi questionado sobre a possibilidade de conceder indultos a outros detentos “famosos”.
Entre os nomes citados estavam:
- Nicolás Maduro, líder da Venezuela deposto e acusado pelos EUA de narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína;
- Robert Menendez, ex-senador de Nova Jersey condenado em 2024 por corrupção;
- e Sam Bankman-Fried, empresário do setor de criptomoedas condenado em 2023 por desviar bilhões de dólares de clientes.
Segundo Trump, ele não pretende perdoar nenhum deles. No caso de Nicolás Maduro, Trump foi direto ao descartar qualquer possibilidade de perdão. “Não, não vejo isso”, afirmou, mesmo com o líder venezuelano declarando-se inocente das acusações.
Ao ser perguntado especificamente sobre um eventual indulto a Derek Chauvin, ex-policial condenado pelo assassinato de George Floyd em 2020, Trump afirmou apenas que não havia sido questionado sobre isso anteriormente.
O presidente destacou ainda que tem utilizado o poder de indulto presidencial para beneficiar aliados e apoiadores que, segundo ele, teriam sido alvo de processos injustos por um Departamento de Justiça politizado durante o governo do ex-presidente Joe Biden.
Em dezembro do ano passado, Trump concedeu indulto ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, condenado por envolvimento em uma ampla conspiração internacional de tráfico de drogas.


