Além do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a Procuradoria-Geral dos Estados Unidos indiciou outras cinco pessoas pelo suposto esquema de narcoterrorismo. O chavista foi alvo de uma operação norte-americana e acabou capturado em Caracas e levado para Nova York na madrugada do sábado (3/1).
Junto a Maduro, a primeira-dama Cilia Flores também foi levada para os Estados Unidos e será julgada pela Justiça. Também chamada de “primeira-combatente”, Flores é uma figura central no governo da Venezuela. Começou como advogada do ex-presidente Hugo Chávez e passou pela procuradoria-geral e pela presidência da Assembléia Nacional.
Além dela, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, foi indiciado pelos Estados Unidos. Ele é conhecido como o segundo no comando de Maduro. A denúncia chamou o militar como “um dos oficiais mais poderosos da Venezuela”.
Antes, foi chefe de gabinete, ministro de Chávez e governador. Diosdado passou a compor o Conselho de Defesa convocado pela presidente interina, Delcy Rodríguez.
Outro ministro de Chávez também foi alvo da procuradoria dos Estados Unidos. Trata-se de Ramón Rodríguez, ex-titular do Interior, Justiça e da Paz. É ex-integrante das Forças Armadas e ocupou o cargo de governador de Guárico.
Desde o fim da década de 1990, Maduro, Diosdado e Ramón teriam atuado com as guerrilhas da Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc); o Exército de Libertação Nacional (ELN); os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zeta; e o venezuelano Tren de Aragua, para o tráfico de cocaína para os EUA, segundo o indiciamento.
Além deles, o filho do presidente venezuelano, Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”, foi indiciado pelo suposto esquema de narcoterrorismo. Ele tem 35 anos, e é deputado pelo Estado de Vargas. Ele permanece no país e disse, nas redes sociais, que participará de manifestações pedindo a libertação de Maduro.
Por fim, os Estados Unidos indiciou Hector Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, líder da facção Tren de Aragua. Ele está foragido desde 2018, quando fugiu da cadeia de Tocorón, a cerca de 150 km de Caracas.
A procuradoria afirma que os esquema perpetuado pelos seis indiciados cria “um ciclo de corrupção” que beneficia autoridades do regime chavista e “violentos narcoterroristas que operam com impunidade em solo venezuelano e ajudam a produzir, proteger e transportar toneladas de cocaína”.
“Este ciclo de corrupção baseado no narcotráfico enche os bolsos de autoridades venezuelanas e suas famílias, ao mesmo tempo em que beneficia violentos narcoterroristas que operam com impunidade em solo venezuelano e ajudam a produzir, proteger e transportar toneladas de cocaína para os Estados Unidos”, detalha o indiciamento.
Segundo a denúncia, cocaína processada era transportada da Venezuela para os EUA por diversos pontos de transporte localizados no Caribe e a América Central, como Honduras, Guatemala e México.
“Os carregamentos marítimos eram enviados para o norte a partir da costa da Venezuela utilizando embarcações rápidas, barcos de pesca e navios cargueiros. Os carregamentos aéreos eram frequentemente despachados a partir de pistas de pouso clandestinas, geralmente feitas de terra ou grama, e também a partir de aeroportos comerciais sob o controle de funcionários corruptos do governo e militares”, acrescenta o documento.
Quatro crimes
No total, a procuradoria indiciou os seis venezuelanos por quatro crimes: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para a importação de cocaína, posse de armamento pesado e conspiração para a posse de armamento pesado.
Nicolás Maduro, Diosdado Cabello e Ramón Rodríguez foram indiciados por todos os quatro. Cilia Flores, Nicolás Ernesto Maduro Guerra e Hector Rusthenford Guerrero Flores vão responder por conspiração para a importação de cocaína, posse de armamento pesado e conspiração para a posse de armamento pesado.
A operação
As forças armadas dos Estados Unidos realizaram uma operação na madrugada de sábado em Caracas, capital da Venezuela. Militares foram à residência “fortemente fortificada” onde estavam Maduro e a primeira-dama Cilia Flores. Ambos foram presos.
Além da detenção e extradição do presidente chavista, que foi colocado a bordo de um navio militar em rota para Nova York, a operação também desarticulou o exército local, segundo Trump.
Planejada há meses, segundo Dan Caine, chefe do Estado-Maior dos EUA, foram empregadas 150 aeronaves de 20 bases militares. Os Estados Unidos não sofreram baixas de personal nem de equipamentos, mas houve troca de tiros com oficiais venezuelanos durante a apreensão de Maduro.
O governo não descartou fazer uma nova operação na Venezuela, caso haja resistência local. Sem entrar em detalhes, disse que poderá ressarcir pessoas afetadas pelo regime.
O presidente dos EUA disse que a depoisção de Maduro teve a intenção de parar o tráfico de drogas para o país e de recuperar o controle das petrolíferas da região: “roubaram bilhões de dólares de nós”.
Maduro chegou a Nova York na noite de sábado e passou a noite preso no Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês), no Brooklyn, conhecido como a “prisão dos famosos”, que abriga mais de 1,3 mil detentos.