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“Não é uma guerra convencional”, diz brasileiro amputado na Ucrânia

Mundo


O brasileiro Diego Matos dos Santos, que teve as duas pernas e o braço esquerdo amputados durante a guerra na Ucrânia, conta que o conflito no Leste Europeu não é uma “guerra convencional”.

Natural de Pernambuco, Diego passou cerca de três meses no front até ser atingido por um drone e ter os membros amputados em decorrência do frio extremo na região.

“Não é uma guerra convencional, não é justa. Nenhum treinamento do mundo prepara você para uma guerra dessas. É como se fosse uma máquina contra o ser humano. Os drones são as máquinas e ainda tem as artilharias russas, os bombardeios… Pouca água, pouca comida e muitos dias de combate”, relata em entrevista ao Metrópoles.

Diego conta que ser militar era um sonho de criança que buscou realizar quando se mudou para a Europa, em 2019. A decisão de integrar o exército ucraniano, no entanto, foi tomada em meados de 2025, quando morava na Bélgica com a esposa.

Foram alguns meses de preparo até o brasileiro viajar à Polônia, onde se apresentou ao exército ucraniano. No local, recrutadores recebem voluntários de diversos países e fazem as inscrições na língua materna de cada combatente. No caso de Diego, foi recebido em português.


Como foi o caso

  • Diego Matos dos Santos é natural de Pernambuco e foi para a Ucrânia com a intenção de integrar o exército ucraniano para lutar contra a Rússia. Ele foi admitido no força em julho de 2025.
  • Em novembro, Diego precisou ser resgatado após ser atingido por um drone e enfrentar um frio extremo na região do Leste Europeu. Devido às baixas temperaturas, o brasileiro precisou amputar as duas pernas e o braço esquerdo.
  • Desde as cirurgias, Diego segue internado em um hospital militar e sob os cuidados do governo ucraniano. Agora ele espera a recuperação das feridas para colocar próteses e dar início à fisioterapia. Após a recuperação, Diego pretende retornar ao Brasil.

Frio intenso e difícil resgate

Após a apresentação, o brasileiro foi levado para uma base militar na Ucrânia onde passou por um intenso treinamento até ser direcionado ao front de guerra. Foram poucos meses em combate até ele ser atingido por um drone russo que o feriu na região posterior do corpo e nas nádegas.

“Meu resgate foi difícil de ser feito. Estava em um local de difícil acesso e com poucas pessoas. Tive que ir para outra posição, onde começou a nevar muito. Peguei um frio de -15Cº, o que acabou inchando meus pés e minhas mãos”, conta.

Foram cerca de 25 dias até Diego ser resgatado e ser levado a um hospital militar, onde foi tratado e recebeu a notícia da amputação de parte das duas pernas e do braço esquerdo. Apesar da notícia, o brasileiro conta que ficou grato por ter sobrevivido.

“Acho que minha família ficou mais triste pelas amputações do que eu”, brinca. “Eu pedi muito a Deus para sobreviver e sou muito grato pela minha vida porque sei que tive uma segunda chance”, afirma.

Desejo de voltar ao Brasil

O sonho de ser militar, na avaliação de Diego, tem grandes diferenças da realidade. “A verdade é que eu fui egoísta. Deixei meus amigos, minha família, minha esposa e meu filho em busca de um sonho […] Se eu soubesse o que eu sei hoje, eu não teria vindo [para a guerra na Ucrânia]“, conta.

“Há uma diferença entre treinar e ir para a guerra de fato. É drone, é o soldado russo que pode chegar a qualquer momento, a artilharia… Dormir e acordar ao som de bombas caindo, bombas que têm o objetivo de te destruir, não é bom. Eu pensei que fosse corajoso, mas vivi o medo de morrer. Não aconselho ninguém a vir, principalmente se for pelo dinheiro”, aconselha.

Ainda em recuperação, Diego está internado em um hospital militar sob os cuidados do governo ucraniano. Ao Metrópoles, ele contou que espera a cicatrização das amputações para colocar próteses e dar início à fisioterapia, que podem fazê-lo andar novamente.

Após acompleta recuperação, Diego deseja voltar para o Brasil e reconstruir a vida.

Voluntários na Ucrânia

Desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, brasileiros se juntaram as forças ucranianas no conflito contra a Rússia — assim como outros cidadãos estrangeiros. Eles ingressaram na guerra, principalmente, através da Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia.

Ligada às Forças Armadas da Ucrânia, a unidade militar oferecia salários entre US$ 550 e US$ 4.800 por mês, antes dos batalhões serem oficialmente desmantelados em novembro de 2025, e integradas totalmente a estrutura militar regular do país.

Da mesma forma, também existem registros de cidadãos do Brasil que cruzaram fronteiras rumo ao conflito, mas para se juntar as tropas da Rússia. Segundo informações do Itamaraty, 17 brasileiros já morreram na guerra do Leste Europeu. Outros 42 seguem com status de desaparecidos.



Fonte Metrópoles

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