O bilionário Elon Musk chamou o governo do Reino Unido de “fascista” após o país aumenar a pressão contra a rede social X por causa da circulação de imagens sexualizadas de mulheres e crianças geradas pelo chatbot Grok, ferramenta de inteligência artificial da empresa xAI.
A reação de Musk ocorreu depois que ele comentou um gráfico que supostamente mostraria o Reino Unido como o país com mais prisões no mundo por publicações em redes sociais.
Ao responder à postagem, o empresário escreveu: “por que o governo do Reino Unido é tão fascista”.
Musk, horas antes, também afirmou que o governo britânico estaria tentando “suprimir a liberdade de expressão” e chegou a chamar o país de “ilha-prisão”.
A polêmica ganhou força no início da semana, quando o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, prometeu agir contra a plataforma. Segundo ele, o X precisa “se organizar urgentemente” diante da circulação de imagens sexualizadas criadas com auxílio do Grok.
O governo da Indonésia, por exemplo, determinou a suspensão temporária do Grok após uma investigação que identificou a propagação de pornografia e imagens sexualizadas de mulheres e jovens.
Entenda polêmica da IA de Musk
- No último domingo (4/1), o Metrópoles noticiou o caso de uma jovem que fez um boletim de ocorrência por registro não autorizado de intimidade sexual, após ter foto manipulada pelo Grok para parecer nua.
- Julie Yukari havia postado no X uma foto com sua gata, em 31 de dezembro, e vários perfis na rede solicitaram que a IA gerasse uma nova imagem da moça em poses sexuais e sem roupa.
- Além disso, outras fotos publicadas no X, geradas a partir de comandos de usuários ao Grok, mostravam menores de idade usando roupas mínimas.
- Nas últimas semanas, diversos usuários do X tem pedido ao Grok que remova digitalmente roupas de fotos – em sua maioria, de mulheres – de modo que os retratados nas montagens de IA pareçam estar vestindo roupas íntimas.
- Ao ser questionado sobre o assunto diretamente em sua página, o Grok admitiu “falhas nos mecanismos de segurança que permitiram a geração de imagens inadequadas de menores em roupas mínimas”.
Edição de imagens limitadas a assinantes pagos
Alvo de investigações e processos em diversos países, a xAI informou, na sexta-feira (9/1), que restringiu o recurso de geração de imagens do Grok para a maioria dos usuários do X. Agora, ao ser marcado em publicações com pedidos para criar ou editar imagens, o chatbot responde que a função está “limitada a assinantes pagos”, direcionando os usuários para a página de assinatura do serviço.
Por outro lado, o aplicativo do Grok, que opera separadamente da rede social, ainda permite aos usuários que gerem imagens sem necessidade de assinatura.
A decisão, porém, não acalmou as autoridades britânicas. Em tom crítico, Starmer afirmou que a mudança “apenas transforma um recurso que permite a criação de imagens ilegais em um serviço premium”.
A Ofcom, órgão regulador de mídia do Reino Unido, informou na segunda-feira que está ciente de “preocupações graves” envolvendo a divulgação de imagens sexualizadas por meio do Grok. Segundo a entidade, houve “contato urgente” com o X e a xAI para entender quais medidas estão sendo adotadas para cumprir as obrigações legais de proteção aos usuários no país.
Já a Internet Watch Foundation, organização responsável por identificar e denunciar material de abuso sexual infantil, afirmou ter encontrado imagens consideradas “criminosas” na dark web que teriam sido geradas pelo Grok.
UE aumenta pressão
A pressão também aumentou na União Europeia. Em entrevista coletiva realizada na segunda-feira (5/1), em Bruxelas, o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, classificou como crime a propagação de imagens sexualizadas de crianças e adolescentes geradas pelo chatbot.
A Comissão Europeia informou que tomou conhecimento das mudanças feitas pela xAI, mas avaliou que as medidas são insuficientes para conter o problema.
Por fim, a secretária de Tecnologia do Reino Unido, Liz Kendall, afirmou em comunicado que a Ofcom deve usar “todos os seus poderes legais”. Ela alertou ainda que o governo britânico pode bloquear o acesso aos serviços do X no país caso a empresa se recuse a cumprir a legislação local.



