Apesar do clima social e político na Venezuela ter esquentado depois da captura de Nicolás Maduro pelos militares dos Estados Unidos, a situação na fronteira do Brasil com o país comandado pelo regime bolivariano não foi alterada.
Desde a queda do líder chavista, o Metrópoles acompanhou a movimentação perto de Pacaraima (RR). Na cidade, que desde meados de 2014 se tornou o principal ponto de passagem de venezuelanos para o território brasileiro, a maior parte da movimentação é dividida entre profissionais de imprensa, turistas e agentes de segurança do Estado brasileiro que fazem parte da Operação Acolhida.
Imigrantes venezuelanos no Brasil
- Nos últimos anos, o Brasil se tornou um dos principais país procurados por venezuelanos, que decidiram abandonar a Venezuela em meio à escalada da crise social e política local.
- Desde 2018, mais de 1,3 milhão de imigrantes venezuelanos chegaram ao Brasil. Deste número, 962.528 entraram pelo estado de Roraima, onde a principal fronteira entre os dois países está localizada, na cidade de Pacaraima.
- Como parte dos esforços para lidar com a crise na Venezuela, que passou a atingir também o Brasil, o governo federa criou a Operação Acolhida em 2018. A ação envolve governos estaduais, municipais, as Forças Armadas e órgãos do Judiciário. O objetivo é atender refugiados e migrantes venezuelanos.
- Ao todo, 731.648 venezuelanos já foram atendidos pela operação
- Mesmo com a ofensiva militar dos EUA na América Latina, 2025 registrou queda no número de imigrantes venezuelanos entrando em Roraima.
- Segundo dados da Operação Acolhida, o fluxo diminuiu 26,94% no último ano.
O fluxo de imigração rumo ao Brasil não aumentou nas primeiras duas semanas de 2026, conforme dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
De acordo com a pasta, 1.014 venezuelanos entraram no Brasil, via Pacaraima (RR), nos 13 primeiros dias de 2026. No mesmo período em 2025, o número foi de 2.121 pessoas, segundo monitoramento da Operação Acolhida.
Ao Metrópoles, o governador do estado, Antonio Denarium (PP) confirmou o levantamento parcial do MDS junto à órgãos que integram a operação criada em 2018, para lidar com a crise migratória venezuelana.
“Como governador de Roraima tenho acompanhado de perto esse processo vivido pela a Venezuela e acredito que depois de toda tensão entre o a Estados Unidos e o país vizinho, a Venezuela voltou a viver um clima de tranquilidade junto a população, o que levou a não haver uma retomada da migração desenfreada e portando mantendo os serviços públicos dentro de um nível aceitável e garantindo o atendimento aos brasileiros e aos migrantes que nos procuram”, disse o governador de Roraima.
O impacto — ou a falta dele — também é sentido por organizações que atuam com venezuelanos imigrantes no Brasil.
Fundada em 2021, a Associação Venezuela Global ajuda na integração econômica e cultural de venezuelanos que buscaram melhores condições de vida em solo brasileiro. Entre eles, assistência social, jurídica e integração ao mercado de trabalho brasileiro. Serviços cujas buscas não aumentaram nos primeiros dias deste ano, apesar da instabilidade no país antes liderado por Maduro.
“Desde então, não tiveram grandes mudanças no número de imigrantes venezuelanos que buscam os nossos serviços”, disse o presidente e fundador da ONG, William Clavijo Vitto, em conversa com a reportagem.
Ele, porém, alerta que a relativa calma é observada com cuidado por venezuelanos dentro e fora do país — cujo futuro segue incerto.
Donald Trump afirma que os Estados Unidos devem governar a Venezuela até uma transição política. Enquanto isso, a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, prega um discurso de soberania nacional, apesar de já ter cedido a alguns desejos norte-americanos.
“Por enquanto, a situação é só uma expectativa de que as mudanças políticas na Venezuela resultem na instalação de uma democracia. O momento é de otimismo com cautela”, afirma William.