A galeria Mercato abriu suas portas para uma exposição especial dedicada aos colares autorais de Elza Lima, artista que transforma materiais coletados ao redor do mundo em peças únicas, carregadas de história e afetividade. Criados a partir de sementes, ossos, cristais e garimpos de viagens, os colares de Elza carregam memórias, culturas e identidade artesanal.
Paixão de adolescência
A trajetória da criadora teve início ainda na juventude, em Brasília, de forma inesperada. Inspirada por uma pulseira usada pelo cantor Cat Stevens, Elza relembra que tudo começou como uma brincadeira entre amigas.
“Todas nós queríamos uma pulseirinha igual à dele. Fizemos e dali começamos a fazer colares para vender. Eu tinha 12 anos.”
O episódio marcou o primeiro contato com o universo artesanal, que décadas depois voltaria a ocupar um lugar central na vida de Elza.
O reencontro com a criação
Anos mais tarde, acompanhando o marido em missão diplomática na Nigéria, Elza redescobriu o prazer de criar ao visitar mercados locais de artesanato, acompanhada de uma amiga que queria convencê-la de participar de um grupo de bijuteria.
“Fui ao mercado comprar contas e fiquei deslumbrada. De dizer que não queria fazer colar, comecei a fazer como se não houvesse amanhã.”
Mesmo diante da procura, decidiu não comercializar as peças no país africano: “Eu achava indecente vender lá, onde tinha tanta gente que precisava mais do que eu.”
Toda a produção foi levada ao Rio de Janeiro, onde Elza realizou sua primeira exposição, com vendas esgotadas.
De vitrines a novelas brasileiras
O sucesso abriu espaço em galerias e lojas de moda cariocas, além da presença dos colares em novelas da TV Globo. A entrada nesse meio aconteceu de forma inesperada.
“Um estilista da Globo foi lá em casa por outro motivo e viu meus colares. Comprou vários. Foi muito engraçado, porque uma loja tinha acabado de dizer que eu não era criativa.”
A partir dali, o trabalho passou a circular entre clientes, estilistas e produções de moda.
Garimpos pelo mundo e identidade autoral
As mudanças internacionais ampliaram o repertório criativo da artista. Em El Salvador, passou a trabalhar com sementes naturais; e ao voltar para o Brasil, incorporou capim-dourado e materiais indígenas amazônicos.
“Eu garimpo pelo mundo. Faço colar com tudo que encontro: ferradura de porta, peça de candelabro, abridor de garrafa. Tudo vira colar.”
Cada peça nasce sem repetição, guiada exclusivamente pela memória e pela intuição: “Eu não entro em Pinterest. Tiro tudo do meu arquivo pessoal, que está na minha cabeça.”
Peças que contam histórias
Para Antonio Aversa, sócio do espaço, a exposição traduz perfeitamente o espírito da galeria.
“São peças que contam uma história. A Elza tem um olhar curatorial fantástico, e ter esses colares aqui é muito especial.”
Segundo ele, a mostra reúne contas egípcias, elementos africanos do século XIX e pendentes de cristal, criando uma composição que dialoga com o design e o acervo do espaço.
Mais do que acessórios, as criações apresentadas no Espaço Mercato funcionam como narrativas visuais e encontros culturais transformados em arte “vestível”.
Veja os detalhes especiais da exposição:
Confira os registros de quem passou por lá, pelas lentes de Pedro Iff:
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Fonte: MATROPÓLES
