Pela terceira vez na temporada, João Fonseca mostra perda de ritmo assustadora em meio a uma partida mais longa e importante. No Australian Open, havia a explicação bastante razoável de que ele não conseguiu se preparar adequadamente devido ao problema lombar que o impediu de disputar dois torneios seguidos e ainda se viu um Eliot Spizzirri inspirado.
Então houve tempo de se cuidar melhor e readaptar ao saibro, porém outra vez a coisa não funcionou. Enfrentou o experiente e canhoto Alejandro Tabilo em Buenos Aires, que soube variar ritmo e ser muito ofensivo, o que tirou o tempo do brasileiro. Claro, havia a questão emocional de defender o título e talvez isso explique sua atuação muitas vezes travada durante a disputada partida.
Mas a derrota desta quinta-feira no Rio Open é uma tremenda ducha de água fria e necessariamente acende o sinal de alerta. Porque, apesar de sua aplicação tática e garra, o peruano Ignacio Buse não deveria ser uma ameaça caso Fonseca jogasse num nível ao menos de top 50. Quando superou o arrastado primeiro set, em que o saque ajudou muito, parecia que embalaria. Que nada. Saiu de quadra com 43 erros, quase o dobro do adversário.
Houve dois 0-40 decisivos na partida e em ambos Fonseca falhou por se afobar na tentativa de definir rapidamente a quebra. O primeiro, e talvez mais importante, foi no game inicial do segundo set, quando Buse parecia estar com a cabeça ainda na série anterior. Depois, veio a chance de empate no terceiro set, porém já era um momento em que o brasileiro se mostrava com pouca energia e, portanto, uma possível virada parecia depender mais dos nervos do adversário do que de seus méritos.
Se há algum consolo na queda tão inesperada, está na consciência do jovem carioca de que nem mesmo seu primeiro set foi brilhante e de que houve precipitação em momentos cruciais. Estranhamente, não se falou no peso da quadra após a chuva, algo muito destacado por Matteo Berrettini, nem sobre a evidente queda de intensidade no terceiro set e da cabeça exageradamente baixa. Deu a impressão que o próprio Buse questionou Fonseca sobre problemas físicos na hora do cumprimento.
De todo o modo, o gosto de mais uma derrota no Rio Open é bastante amargo. Fonseca fez uma estreia decente contra Thiago Monteiro e se mostrou ágil, confiante e confortável nas duas vitórias de duplas ao lado de Marcelo Melo. De repente, seu jogo, energia e alegria desabaram. Pior ainda, diante de uma chave extremamente propícia para atingir ao menos a final de domingo. Era o único cabeça restante no seu lado da chave, após o abandono de Francisco Cerúndolo, e apenas Berrettini surgia como um adversário à altura. E do outro lado, Tomas Etcheverry virou o favorito para a outra vaga após outra sucessão de surpresas.
Há mais consequências. A menos que considere um convite em Santiago – acho muito difícil Acapulco devido à mudança de piso -, ele chegará em Indian Wells como 37º ou 38º do ranking e estará fora dos cabeças de chave.
Os primeiros desafios de Fonseca previstos para 2026 não foram bem superados e mais do que nunca é hora de manter a cabeça no lugar e se preparar ainda melhor.
Luísa com chance de top 10
Enfim, Luísa Stefani e a parceira canadense Gabriela Dabrowski conseguiram superar Anna Danilina e Aleksandra Krunic, para quem haviam perdido as duas semifinais anteriores, e com isso elas irão novamente buscar um grande título lado a lado, agora em Dubai. Foi com Gabi que Luísa venceu seu primeiro WTA 1000, em 2021, no Canadá. A vitória desta sexta-feira veio com sofrimento, de virada, com muitos altos e baixos mas um ‘tiebrekão’ muito bem jogado no aspecto tático e emocional.
Caso erga o troféu neste sábado em Dubai, Stefani estará de volta ao top 10 do ranking mundial, o que por si só já é um resultado excepcional neste início de temporada. Ela já figurou como nona colocada em 2021, ironicamente na semana seguinte à grave contusão que sofreu no US Open e a tirou por uma temporada toda das quadras.
Fonte: UOL ESPORTES