Os lugares mais frequentados da internet, como as redes sociais, as plataformas de busca e as de inteligência artificial, estão recheados de informações de todo tipo, que pipocando o tempo todo para nos distrair. Essas plataformas podem ser legais para aprender ou se divertir, mas é preciso ficar atento, porque nem todo mundo tem boas intenções. Tem muita gente querendo te enganar ou roubar o seu tempo —coisa que não volta mais.
E até para os adultos mais experientes, está ficando cada vez mais difícil saber o que é verdade e o que não é. Na dúvida, desconfie do que vê na rede e peça ajuda de um adulto. Também vale usar a sua criatividade, inteligência e imaginação para se divertir também longe das telas, pois viver no mundo real também nos ajuda a compreender melhor o que vemos na internet. Veja a seguir algumas dicas para não ser feito de bobo.
Jornalista, o equilibrista-trapezista
Ele precisa se equilibrar sobre uma corda, que é sua apuração —o trabalho de pesquisa e de busca pela verdade. Para se manter de pé, o jornalista deve se basear em fatos, checando informações e ouvindo os vários lados de uma mesma história para contar o que realmente aconteceu, sem emitir opiniões pessoais. Assim como o trapezista, o jornalista também tem uma rede de segurança, que são suas fontes. Se ele se desequilibrar, pode sempre contar com elas para ter certeza sobre o que está acontecendo.
Para saber se algo na internet é jornalismo ou não, você pode perguntar a um adulto se aquela informação pode ser confirmada em outros veículos de comunicação ou sites oficiais, como de governos ou ministérios. Notícias com dados precisos, escritas ou faladas por pessoas que citam de onde vieram aquelas informações, têm mais chances de terem sido feitas por jornalistas de verdade
O ilusionismo das notícias falsas
A expressão “fake news” vem do inglês e significa notícias falsas —os estudiosos da comunicação também chamam o fenômeno de desinformação. Assim como os truques de mágica e de ilusionismo, as notícias falsas existem há muito tempo. O problema é que, com a internet, elas circulam com muito mais velocidade.
As pessoas que inventam essas notícias falsas normalmente pagam muito dinheiro para que elas tenham muitas visualizações —manipulando a realidade para causar confusão e caos, prejudicar alguém ou alguma instituição, ou favorecer quem está pagando para que aquela mentira circule e engane as pessoas. Para não cair em fake news, desconfie sempre. Será que aquele jeito de ganhar dinheiro fácil não é um truque?
Influenciador: Malabarista
Quem trabalha com internet precisa equilibrar várias bolinhas, igual um equilibrista. O influenciador tem que conquistar engajamento (que são as curtidas, comentários e compartilhamentos) e precisa aprender a lidar com o algoritmo de cada rede social, que é um tipo de robô que entende o que você gosta e te entrega conteúdos parecidos para te segurar por mais tempo no aplicativo.
Por exemplo, se você gosta de vídeos de bichinhos, o algoritmo vai te mostrar mais vídeos assim, então o influenciador vai começar a fazer conteúdos com pets para ter mais engajamento. A missão dos produtores de conteúdo nas redes sociais é entreter a audiência.
Ou seja, mesmo se baseando em informações confiáveis, eles falam sobre os assuntos que eles sabem que vão bombar —diferente dos jornalistas, que falam sobre assuntos importantes para o público, ainda que eles não gostem tanto assim.
Os influenciadores também trabalham com marcas, às vezes sem uma separação clara sobre a influência delas no conteúdo que eles produzem. Por isso, fique esperto com quem você segue. Se você gosta de algum influenciador, busque saber quem o patrocina e se ele baseia suas opiniões na realidade (e não em fake news, por exemplo).
Publicidade: Show do intervalo
Há muitas propagandas em meio à avalanche de informações na tela, e podemos demorar para perceber do que se trata. Ainda que as regras do jogo ditem que elas precisam ser sinalizadas (com a #publi nas redes sociais) e não podem ser enganosas, muitas vezes elas chegam disfarçadas de conteúdos engraçados ou artísticos.
Diferente de outros conteúdos, a publicidade sempre tem uma empresa por trás, as grandes marcas que pagam para que ela seja produzida e circulada. Para saber se um conteúdo é publicidade, procure a marca: ela está na legenda, no começo, meio ou final de um vídeo? Ou num cantinho da foto? Pergunte-se também se algo está sendo vendido. O que querem que você compre depois desse conteúdo?
A mágica da Inteligência Artificial (IA)
Ela tem sido usada por todos os atores, e está dominando todos os espetáculos na internet. Ela ajuda jornalistas a traduzir textos de outros idiomas e encontrar erros de português em um texto. Para os influenciadores, ela edita vídeos e fotos rapidamente e cria legendas sozinha.
Mas a IA também pode ser usada para enganar a gente. Imagine que você nunca xingou alguém da escola, mas uma pessoa que não gosta de você pode usar a IA para fazer um vídeo seu falando mal do diretor, o que te causaria uma grande confusão.
É que as IAs estão cada vez mais sofisticadas e fica cada dia mais difícil saber se um conteúdo foi criado por um robô ou por uma pessoa de verdade. Para não ser enganado, fique atento: esse conteúdo foi postado na conta de uma pessoa de verdade? Na dúvida, você também sempre pode perguntar a um adulto.
Fonte consultada: Anna Flávia Feldmann, professora de jornalismo da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), editora do jornal laboratório Contraponto, doutora e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo).
Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO
