Os Estados Unidos vão transferir terroristas do Estado Islâmico (ISIS), atualmente detidos na Síria, para um “local seguro”, no Iraque. A missão teve início nesta quarta-feira (21/1), segundo comunicado do Comando Central dos EUA (Centcom).
De acordo com militares norte-americanos, são 150 jihadistas do ISIS que estavam presos em um centro de detenção localizado em Hasakah, região controlada pelas Forças Democráticas Sírias (SDF).
“A missão de transferência teve início enquanto as forças americanas transportavam com sucesso 150 combatentes do Estado Islâmico detidos em um centro de detenção em Hasakah, na Síria, para um local seguro no Iraque. Ao final, até 7 mil detentos do Estado Islâmico poderão ser transferidos da Síria para instalações controladas pelo Iraque”, informou o comando dos EUA.
Até o momento, ainda não está claro para qual local os membros do Estado Islâmico serão enviados. Há alguns dias, o governo iraquiano anunciou o fim da coalizão internacional, que, no início dos anos 2010, lutou contra o avanço do grupo extremista no país — liderada pelos Estados Unidos.
Mesmo com a decisão, o Iraque disponibilizou apoio logístico para tropas internacionais que compõem a coalizão militar na Síria. Segundo Bagdá, a maior base aérea do país, a Ain al-Assad, estará disponível para operações contra os insurgentes que atuam no país vizinho.
Nova crise na Síria
Desde o início do ano, o Exército Sírio e as Forças Democráticas Sírias (SDF) — milícia de curdos que comandava porções do norte e leste do país — voltaram a inflamar a situação na Síria.
O início dos combates ocorreu após acusações vindas de ambos os lados, sobre supostos ataques contra posições. Semanas após o começo dos conflitos, o governo interino de Ahmed al-Sharaa anunciou um cessar-fogo com as SDF, posteriormente quebrado.
Entre os pontos acordados estão a integração de combatentes e civis curdos no Exército Sírio e na sociedade civil da Síria. Além disso, o documento divulgado por Damasco informa que áreas antes controladas pelas SDF passariam para o controle da administração central do país, atualmente, nas mãos de figuras centrais do grupo Hayat Tahir al-Sham (HTS).
Em meio à tentativa de implementar o pacto de paz, firmado anteriormente em março de 2025, os dois lados passaram trocar acusações sobre a libertação de membros do Estado de prisões localizadas no nordeste sírios. Eles estavam detidos em locais antes controlados pela organização curda, que por anos foi ator central na queda do ISIS tanto na Síria quanto no Iraque.
De acordo com as SDF, os jihadistas foram libertados em meio à ofensiva de forças governamentais contra os territórios do Curdistão Sírio, também conhecido como Rojava.
A versão, contudo, é contestada pelo governo de al-Sharaa, que conseguiu recuperar vastas áreas do nordeste sírio com a nova onda de conflitos. Segundo autoridades de Damasco, os integrantes da organização terrorista teriam sido soltos pelos próprios combatentes das SDF.
Desde quarta-feira, um cessar-fogo de quatro dias foi anunciado por Damasco e as SDF. As discussões sobre a implementação do pacto por completo estão em andamento, em meio á acusações sobre violações na trégua.