Mais de 48 horas após o incêndio que atingiu o bar Constellation, em Crans-Montana, na Suíça, familiares seguem em busca de informações sobre filhos, irmãos e amigos que ainda constam como desaparecidos. A tragédia ocorreu na madrugada de quinta-feira (1º/1), durante as comemorações de Ano Novo, e deixou ao menos 40 mortos e 119 feridos, a maioria em estado grave.
Devido ao estado dos corpos encontrados no bar, com muitos inteiramente carbonizados, a grande maioria dos mortos ainda não foram identificados — o que aumenta ainda mais a angústia dos familiares de desaparecidos.
O bar é um dos mais frequentados da região e costuma atrair principalmente jovens entre 16 e 26 anos, faixa etária predominante entre as vítimas, segundo hospitais que atendem os feridos.
Em coletiva de imprensa, o comandante da polícia local, Frédéric Gisler, afirmou que o processo formal de identificação das vítimas está em andamento, mas pode levar dias devido à gravidade das queimaduras.
A procuradora-geral Beatrice Pilloud informou que recursos substanciais foram mobilizados para acelerar o processo e dar respostas às famílias.
Já o presidente do Conselho de Estado do Valais – cargo equivalente a governador –, Matthias Reynard, classificou o momento como “verdadeiramente terrível” e pediu compreensão diante da complexidade das investigações.
Com a demora na identificação oficial, familiares passaram a recorrer às redes sociais. Uma conta temporária no Instagram foi criada para divulgar fotos e nomes de pessoas desaparecidas, com a promessa de ser apagada assim que todos forem localizados.
Até a publicação desta reportagem, 39 perfis de jovem, com descrição de características físicas, tatuagens, piercings e roupas usadas na noite da tragédia, haviam sido compartilhados na página, que já acumula mais de 52 mil seguidores.
Familiares procuram vítimas
Entre os que buscam informações está Laetitia Brodard-Sitre, moradora de Lutry, cidade suíça próxima a Crans-Montana. Ao jornal suíço 20 Minuten, ela afirmou que busca notícias do filho Arthur, de 16 anos.

Segundo ela, Arthur estava no bar no momento do incêndio e pode estar hospitalizado sem identificação. Pacientes gravemente feridos estão sendo transferidos para hospitais em outros países europeus, como França, Itália, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e Romênia, em um esforço coordenado para garantir atendimento especializado, sobretudo a vítimas com queimaduras severas.
A incerteza afeta toda a família. O irmão mais novo de Arthur completa 12 anos em poucos dias. “Prometi a ele que saberemos onde está seu irmão”, disse a mãe. “Vou desabar quando encontrar meu filho. Mas, por enquanto, sigo firme.”
Entre os nomes que surgiram nas listas de desaparecidos está o do golfista italiano Emanuele Galeppini, de 16 anos. A Federação Italiana de Golfe chegou a comunicar oficialmente a morte do atleta, entretanto, segundo o jornal italiano La Repubblica, a família contesta a confirmação.
O tio do jovem, Sebastiano Galeppini, afirmou que Emanuele ainda é considerado desaparecido e que os parentes aguardam os resultados de exames de DNA.
Outro caso é o de uma adolescente francesa de 15 anos, identificada como Charlotte N. Segundo o jornal britânico The Guardian, a jovem estudava no Reino Unido e não deu mais notícias desde o incêndio. A escola frequentada por ela, em Hertfordshire, divulgou um comunicado afirmando que está “rezando por um milagre” e oferecendo apoio à família.
O que se sabe sobre a tragédia?
O incêndio começou por volta de 1h30 no horário local (20h30 de quarta-feira pelo horário de Brasília) dentro do bar Le Constellation, que integra o complexo do resort de esqui de Crans-Montana.
O estabelecimento fica próximo à base do teleférico que leva esquiadores às montanhas, tem capacidade para cerca de 300 pessoas e conta ainda com um terraço para aproximadamente 40.
O local recebia uma festa de Ano Novo quando ocorreu uma explosão, seguida de um incêndio que se espalhou rapidamente pelo interior do prédio.
Relatos apontam que o fogo tomou o teto de madeira em poucos segundos, dificultando a saída do público. Pessoas que estavam próximas ajudaram a retirar as vítimas e improvisaram primeiros atendimentos em estabelecimentos vizinhos.
As autoridades ainda investigam o que provocou a explosão e o início das chamas. Entre as possibilidades citadas estão uma explosão causada por rojão, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Itália, e fogo iniciado por velas de faísca – no Brasil conhecidas como vela vulcão – colocadas em garrafas de champanhe, conforme o relato de sobreviventes.
Por ora, a polícia trabalha com a hipótese de acidente e descarta terrorismo ou incêndio intencional.
Ao menos 119 pessoas ficaram feridas. Entre elas, 71 são suíças. Também há 14 franceses, 11 italianos, quatro sérvios, além de um bósnio, um belga, um luxemburguês, um polonês e um português. A nacionalidade de outras 14 pessoas ainda não foi determinada.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, não há registro de brasileiros entre os mortos ou feridos.






