As tensões entre o Japão e a China ganharam um novo capítulo nesta quarta-feira (19/11): o governo chinês anunciou que suspenderá efetivamente as importações de frutos do mar japoneses. A China notificou o governo japonês de que os testes realizados na água tratada da usina nuclear de Fukushima Daiichi foram considerados insuficientes.
A medida ocorre em meio à escalada de tensões provocada pelos comentários da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, sobre Taiwan.
Em agosto de 2023, a água tratada com material radioativo da usina nuclear de Fukushima, do Japão, começou a ser liberada no mar. Como consequência, a China suspendeu as importações de todos os frutos do mar japoneses.
Japão x China
- Na semana passada, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, foi questionada sobre ameaças à segurança do país. Ela afirmou que um bloqueio naval chinês a Taiwan, caso envolva ações militares, poderia representar um risco à sobrevivência do Japão, que precisaria usar a força para se defender.
- A declaração de Takaichi gerou duras críticas da China. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou em coletiva de imprensa que o Japão deve corrigir e se retratar imediatamente em relação ao comentário.
- Ele acrescentou que o Japão deve “cessar imediatamente a interferência nos assuntos internos da China, e parar suas ações e palavras provocativas e transgressivas”.
O terremoto e o tsunami de 2011 no Japão levaram à contaminação da água na usina, mas o governo japonês afirma que ela já foi tratada. A China só decidiu retomar as importações em junho deste ano. Segundo a mídia local, as compras foram retomadas apenas após a certificação dos testes de radiação e a comprovação de origem.
Com o aumento das tensões, a China anunciou que suspenderá novamente as importações. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning afirmou, nesta quarta, que “o Japão ainda não forneceu os documentos que prometeu”, segundo informou o jornal Asahi Shimbun.
Citando a primeira-ministra do Japão, ela afirmou que “as declarações equivocadas irritaram o povo chinês”.
Nessa terça-feira (18/11), ela havia declarado, na rede social X, que “a situação atual nas relações China-Japão é consequência das declarações flagrantes do primeiro-ministro Takaichi sobre Taiwan”.
Ainda não há previsão para a interrupção completa das importações.