O Transtorno do Espectro Autista, conhecido como TEA, é uma condição que afeta principalmente a comunicação, a interação social e o comportamento.
Ele é chamado de “espectro” justamente porque pode se manifestar de formas muito diferentes em cada pessoa, desde casos leves até quadros mais complexos.
Nos últimos anos, o número de diagnósticos aumentou bastante em todo o mundo. Dados do Centers for Disease Control and Prevention mostram que, em 2025, cerca de 1 em cada 31 crianças está no espectro, um crescimento significativo em comparação com décadas anteriores. Esse cenário levanta uma dúvida importante: existem mais casos ou estamos identificando melhor?
Segundo a pediatra Anna Dominguez Bohn, o principal motivo está no avanço da ciência. “O aumento dos diagnósticos está muito relacionado ao avanço da ciência, com melhores ferramentas e maior compreensão do desenvolvimento infantil”, explica.
Além disso, os critérios de diagnóstico também evoluíram. Atualmente, os médicos observam dois grandes grupos de sinais: dificuldades na comunicação social e padrões de comportamento repetitivos ou interesses restritos. Como esses critérios ficaram mais amplos e detalhados, mais pessoas conseguem ser identificadas dentro do espectro.
Outro ponto importante é que o diagnóstico do autismo não é feito por exames laboratoriais ou de imagem. Ele é clínico, baseado na observação do comportamento da criança ao longo do tempo. “Não existe um exame único que confirme o autismo. O diagnóstico exige uma avaliação criteriosa, feita ao longo do tempo”, destaca a médica.
Existe também a possibilidade de fatores ambientais e do estilo de vida moderno influenciarem esse aumento, mas isso ainda está sendo estudado. Até agora, não há uma resposta definitiva sobre o impacto desses fatores, o que mantém o tema como um “mistério” em investigação.
A grande diversidade dentro do espectro também torna tudo mais complexo. “Cada criança dentro do espectro é única”, afirma a pediatra. Algumas podem falar bem, mas ter dificuldade em interações sociais, enquanto outras apresentam atrasos mais evidentes no desenvolvimento. Isso pode fazer com que alguns casos sejam diagnosticados mais tarde, ou até confundidos.
Um dos avanços mais importantes recentes é a identificação precoce. Estudos mostram que a triagem em consultas pediátricas pode antecipar o diagnóstico em meses importantes. “Estamos falando de um período de intensa plasticidade cerebral, em que intervenções precoces podem mudar significativamente o desenvolvimento da criança”, explica Anna.
Esse diagnóstico mais cedo permite iniciar terapias e acompanhamentos que ajudam no desenvolvimento da comunicação, da autonomia e da qualidade de vida. Além disso, também facilita o apoio às famílias, que passam a entender melhor as necessidades da criança.
Especialistas ainda reforçam que o diagnóstico não deve ser visto como um rótulo. “O diagnóstico não é o fim, e sim um ponto de partida”, conclui a médica.
Fonte: CNN Brasil
