A Casa Branca afirmou nesta quinta-feira (15/1) que o governo dos Estados Unidos acompanha de perto a situação no Irã após a suspensão de centenas de execuções que estavam previstas para ocorrer nesta semana. A declaração foi feita pela porta-voz Karoline Leavitt durante coletiva de imprensa.
“O presidente entende hoje que 800 execuções que estavam agendadas e deveriam ter ocorrido ontem foram suspensas. Portanto, o presidente e sua equipe estão monitorando de perto a situação, e todas as opções permanecem em aberto para o presidente”, disse Leavitt.
A fala reforça A mudança no tom adotado por Donald Trump nessa quarta-feira (14/1), durante um evento na Casa Branca, o presidente afirmou ter sido informado de que as “matanças” no Irã “estão parando”, após semanas de retórica dura contra o governo do aiatolá Ali Khamenei.
“Fomos informados de que os assassinatos no Irã estão cessando e que não há planos para execuções”, declarou Trump. “Os assassinatos pararam. As execuções pararam”, disse.
Segundo ele, Teerã também teria comunicado a Washington que não pretende executar pessoas detidas durante os protestos recentes.
Protestos e repressão no Irã
As declarações ocorrem em meio a uma nova escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã, tendo como pano de fundo as manifestações que tomam o país desde o fim de dezembro de 2025.
Os protestos criticam a crise econômica e problemas sociais e vêm sendo duramente reprimidos pelas autoridades iranianas.
Segundo a organização Ativistas de Direitos Humanos no Irã (HRA), mais de 2,4 mil pessoas morreram desde o início dos confrontos em Teerã e em outras cidades. O número de manifestantes presos já ultrapassa 18 mil.
Entre os detidos está Erfan Soltani, condenado à pena de morte após um julgamento classificado como controverso por organizações de direitos humanos. A execução estava prevista para essa quarta-feira, mas, até o momento, não há confirmação oficial de que a sentença tenha sido suspensa.
Ameaças, recuos e risco de escalada
Antes de adotar um discurso mais ameno, Trump havia feito ameaças públicas contra o governo iraniano, afirmando considerar “opções muito fortes” para impedir a morte de civis contrários ao regime.
O republicano argumenta que uma eventual ação norte-americana teria caráter humanitário.
O Irã, por sua vez, acusa Washington de estar por trás das manifestações. Autoridades locais, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, afirmam que os protestos e a violência seriam resultados de um plano dos Estados Unidos, com apoio de iranianos no exterior, para desestabilizar o país.


