O setor de carne brasileiro está em negociações avançadas para abrir o mercado sul-coreano para exportações de carne bovina. Após duas décadas de negociações, o Brasil finalmente recebeu o status de país livre de febre aftosa sem necessidade de vacinação, um passo fundamental para acessar mercados premium como a Coreia do Sul.
A febre aftosa, descrita pela editora do CNN Agro Fernanda Pressinott, no CNN Prime Time, como um “fantasma da pecuária”, causou grandes prejuízos econômicos em diversos países nas últimas décadas. “Em 2001, por exemplo, no Reino Unido, foram US$ 13 bilhões perdidos com a matança do gado”, explicou Pressinott. No Brasil, os últimos casos foram registrados em 2006, quando começou o programa de vacinação que controlou efetivamente a doença.
Desafios para o setor brasileiro
Apesar da conquista do status de país livre de febre aftosa sem vacinação, o setor pecuário brasileiro enfrenta preocupações. A extensa fronteira territorial do Brasil gera receios sobre a possível entrada de gado clandestino, o que poderia comprometer todo o trabalho realizado nas últimas duas décadas. “Pode ser que entre gado clandestino. E aí fica essa dicotomia, um acesso maior a mercados premium, mas pode ser que a doença volte ao país”, alertou Pressinott.
O processo de abertura do mercado sul-coreano ainda inclui visitas técnicas de representantes do governo da Coreia do Sul aos frigoríficos brasileiros. Segundo Pressinott, não há preocupações quanto à qualidade das instalações e profissionalização do setor: “É realmente muito profissionalizada. É uma rotina nesse tipo de negociação, vem os técnicos, visitam as fazendas, depois visitam os frigoríficos, vêem tudo como é que funciona o abate”.
Mercados premium e questões políticas
A Coreia do Sul representa um mercado valioso para o Brasil, pois os sul-coreanos são conhecidos por consumir cortes nobres de carne bovina, que custam mais caro. No entanto, há também questões políticas envolvidas nas negociações comerciais. Pressinott observou uma contradição: “A Coreia do Sul compra, por exemplo, carne do Uruguai e eles não são livres de vacinação com febre aftosa”.
Segundo a especialista, os sul-coreanos justificam essa diferença alegando que a carne uruguaia possui outra hereditariedade e tipo de gado. Essa situação demonstra que, além das questões sanitárias, existem componentes políticos e comerciais nas negociações de abertura de mercados internacionais para produtos brasileiros.
Fonte: CNN Brasil
