Além do presidente do Banco Central do Brasil (BC), Gabriel Galípolo, líderes monetários da Inglaterra, Suíça, Coreia do Sul e outros países manifestaram apoio ao chefe do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell.
A declaração conjunta dos bancos, divulgada nesta terça-feira (13/1), ocorre após o governo norte-americano abrir uma investigação criminal contra Powell, que envolve a reforma US$ 2,5 bilhões na sede do Banco Central dos EUA, em Washington.
Em comunicado divulgado pelo Fed, Powell afirma que a investigação, relacionada ao seu depoimento ao Comitê Bancário do Senado sobre a reforma dos prédios administrativos do banco central norte-americano , é uma retaliação direta do governo Trump.
Na lista das autoridades monetárias que repudiam as ameaças do governo Trump e prezam pela independência e responsabilidade democrática do Fed, estão:
- Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, em nome do Conselho do BCE
- Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra
- Erik Thedéen, presidente do Sveriges Riksbank
- Christian Kettel Thomsen, presidente do Conselho de Governadores do Danmarks Nationalbank
- Martin Schlegel, presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional da Suíça
- Ida Wolden Bache, presidente do Norges Bank
- Michele Bullock, presidente do Banco Central da Austrália (Reserve Bank of Australia)
- Tiff Macklem, presidente do Banco do Canadá
- Chang Yong Rhee, presidente do Banco da Coreia
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil
- François Villeroy de Galhau, presidente do Conselho de Administração do Banco de Compensações Internacionais (BIS)
- Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS)
Entenda a ameaça do governo Trump a Powell
- O Departamento de Justiça dos EUA abriu um inquérito sobre o Federal Reserve, em especial sobre o seu presidente, Jerome Powell, no domingo (11/1).
- O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não tem nenhuma ligação com a decisão de procuradores norte-americanos de conduzir uma investigação sobre Powell.
- A investigação apura se o presidente da autoridade monetária mentiu ao Congresso Nacional sobre os custos de uma reforma realizada na sede do Fed. A obra tem custos estimados em cerca de US$ 2,5 bilhões.
- Ao longo do último ano, Trump e aliados intensificaram as críticas à Powell por não promover cortes nos juros no ritmo defendido pelo republicano.
O Fed esclareceu que as ameaças com acusações criminais é uma consequência do banco central dos EUA definir as taxas de juros baseado no que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente.
Na declaração conjunta, publicada pelo Banco Central Europeu, os líderes monetários destacam que a independência dos bancos centrais é um pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e econômica.
“O presidente Powell tem atuado com integridade, focado em seu mandato e com um compromisso inabalável com o interesse público. Para nós, ele é um colega respeitado, tido na mais alta estima por todos que com ele trabalharam”, diz um trecho do manifesto dos Bancos.
O comunicado esclarece que outros bancos centrais poderão ser adicionados à lista de signatários posteriormente, caso saiam em defesa de Powell. Até o momento, Powell continuará exercendo a função de chefe do Federal Reserve.