Uso de drogas e episódios de indisciplina deram um fim ao intercâmbio de um traficante ligado ao Comando Vermelho (CV) que viajou à Ucrânia para aprender técnicas de guerra no conflito do Leste Europeu. A informação foi confirmada por fontes ligadas à diplomacia ucraniana ao Metrópoles, que conversaram com a reportagem sob condição de anonimato.
Estrangeiros na guerra da Ucrânia
- Desde o início do conflito na Ucrânia, brasileiros, e cidadãos de outros países, têm se unido às forças ucranianas na guerra contra a Rússia.
- A principal porta de entrada de estrangeiros no conflito acontecia por meio da Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, criada em 2022 na tentativa de contornar a superioridade militar russa.
- Segundo informações do governo ucraniano, todos estrangeiros que se voluntariaram a ingressar na unidade militar assinavam contratos com as Forças Armadas da Ucrânia.
- Por isso, Kiev afirma que os combatentes estrangeiros não são mercenários, que participam de conflitos sem um vinculo oficial com alguma das partes em conflitos, visando apenas ganhos financeiros.
- A Legião Internacional da Ucrânia foi desmantelada em novembro de 2025, e suas tropas foram integradas à estrutura regular da defesa ucraniana.
- De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, 17 brasileiros morreram na guerra entre Ucrânia e Rússia. Outros 42 seguem desaparecidos.
- Também existem registros de brasileiros que se juntaram às forças russas por meio de contratos militares.
O caso foi revelado em novembro do último ano pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ). Segundo a corporação, o homem de 29 anos viajou ao menos três vezes para a Europa, entre 2023 e 2025. Lá, informou a Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), o homem teria ingressado no conflito entre Ucrânia e Rússia para importar técnicas de guerra ao Brasil.
Identificado como Philippe Marques Pinto, de 29 anos, o brasileiro seria ligado a Antônio Hilário Ferreira, também conhecido como Rabicó, apontado por autoridades como o chefe do CV no Complexo do Salgueiro, localizado em São Gonçalo (RJ).
Registros obtidos pela coluna Mirelle Pinheiro mostram o membro do CV utilizando trajes militares, e portando armas de grosso calibre, geralmente utilizadas em zonas de conflito. Em uma delas é possível ver o jovem vestido em um traje militar com a bandeira da Ucrânia, sinalizando que o mesmo atuava ao lado de forças ucranianas.
Fontes diplomáticas confirmaram que Phillipe esteve ligado ao Exército da Ucrânia por um tempo, até ser expulso por casos de indisciplina e o uso de entorpecentes. Autoridades afirmam, ainda, que a ligação do mesmo com o crime organizado no Brasil não era do conhecimento de Kiev.
Ainda não está claro se o membro do Comando Vermelho ingressou no conflito como outros brasileiros, que se voluntariaram para lutar contra a Rússia pela extinta Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia. Ou se no caso de Phillipe foi parar na guerra por meio de outro tipo de contrato, conforme prevê o governo ucraniano.
O Metrópoles questionou a Polícia Civil do Rio de Janeiro sobre o andamento das investigações, e solicitou informações sobre o paradeiro do membro do CV, que segue incerto. Até a publicação desta reportagem não houveram respostas. O espaço segue aberto para manifestações.


