O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton concordaram, nesta segunda-feira (2/2), em prestar depoimentos a portas fechadas no âmbito da investigação do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes sobre o caso Jeffrey Epstein.
A expectativa era de que a Câmara votasse nesta quarta-feira (4/2) duas resoluções de desacato ao Congresso contra os Clinton. De acordo com a ABC News, o casal cedeu às exigências do Partido Republicano na noite desta segunda.
Bill Clinton manteve uma relação social documentada com Jeffrey Epstein nos anos 1990 e início dos anos 2000. Registros de voo mostram que o ex-presidente viajou algumas vezes no avião privado do financista em deslocamentos que, segundo sua assessoria, estavam ligados a atividades institucionais e filantrópicas. Clinton afirma que rompeu o contato com Epstein antes de os crimes virem a público e nega ter tido conhecimento de qualquer atividade ilegal.
No caso de Hillary Clinton, não há registros públicos que indiquem envolvimento direto ou proximidade semelhante. Ela não aparece em listas de voos nem foi citada em processos judiciais relacionados a Epstein.
Ainda assim, o Comitê de Supervisão da Câmara decidiu convocar ambos para esclarecer o grau de contato, o contexto dessas relações e o que sabiam na época. Até o momento, nenhum dos dois é acusado de crime no caso Epstein.
A convocação faz parte de uma investigação legislativa mais ampla, que busca mapear redes de influência, eventuais falhas institucionais e quem teve contato com o financista antes de sua prisão. Aceitar depor não implica culpa, mas atende a uma exigência formal do Congresso para prestar esclarecimentos sob juramento.
Caso Epstein
Jeffrey Epstein foi um magnata norte-americano acusado de explorar sexualmente meninas adolescentes e de comandar uma rede de tráfico sexual envolvendo jovens vulneráveis. Ele manteve relações com empresários, políticos e figuras influentes nos Estados Unidos e em outros países, como o presidente Donald Trump e príncipe Andrew, da Inglaterra.
Segundo as investigações, os abusos ocorreram por anos, em propriedades de Epstein na Flórida, Nova York e em uma ilha privada no Caribe.
Em 2008, Epstein fez um acordo judicial controverso, que o permitiu cumprir uma pena branda por crimes sexuais, evitando acusações federais mais amplas.
Em 2019, entretanto, ele voltou a ser preso, desta vez por tráfico sexual de menores em âmbito federal. Pouco depois, morreu na prisão, em um caso oficialmente classificado como suicídio, o que intensificou suspeitas e teorias sobre possíveis acobertamentos.
Mesmo após a morte de Epstein, o caso continuou avançando nos tribunais. Sua ex-associada, Ghislaine Maxwell, foi condenada por ajudar a recrutar e abusar de vítimas.
Paralelamente, processos civis, divulgação de documentos judiciais e investigações no Congresso passaram a examinar quem sabia, quem se beneficiou e se houve falhas do Estado em proteger as vítimas, mantendo o caso como um dos maiores escândalos de abuso e poder dos EUA da última década.









