O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante coletiva, nesta quinta-feira (22/1), que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, estaria disposto a aceitar os termos de um acordo de paz para encerrar a guerra na Ucrânia.
Na declaração, Trump não deu detalhes sobre o acordo, mas disse que os “parâmetros são conhecidos”. Até então, o principal entrave para Zelensky é aceitar ceder território ucraniano para a Rússia.
“Ele (Zelensky ) disse que gostaria de chegar a um acordo. As pessoas conhecem os parâmetros. Não é como se estivéssemos discutindo coisas que já vinham sendo discutidas há seis ou sete meses e ele simplesmente aparecesse e dissesse que quer fazer um acordo comigo”, disse Trump.
A avaliação do republicano, no entanto, contrasta com a leitura de integrantes diretamente envolvidos nas negociações.
“Se ambos os lados quiserem resolver isso, vamos resolver. Acho que já fizemos muitos progressos e conseguimos reduzir o problema a uma única questão”, disse Witkoff.
Em declarações anteriores, ele já havia indicado que o principal entrave diz respeito às disputas territoriais.
Territórios como obstáculo
- A Rússia exige que a Ucrânia abandone oficialmente as reivindicações sobre Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye — regiões que passaram ao controle russo em 2022 após referendos não reconhecidos internacionalmente.
- Kiev rejeita reconhecer esses territórios como parte da Rússia.
- Zelensky, por sua vez, reitera a posição oficial ucraniana, embora tenha admitido no mês passado a possibilidade de um referendo interno sobre eventuais concessões territoriais, hipótese que ainda enfrenta forte resistência política no país.
Reuniões e negociações em curso
Trump já havia alertado que Moscou e Kiev estariam “razoavelmente perto” de um acordo. Mais cedo, ele se reuniu com Zelensky em Davos, em um encontro de menos de uma hora.
Apesar de ter classificado o líder ucraniano como um dos principais obstáculos ao acordo na semana passada, o republicano descreveu a conversa como “boa” e disse esperar que a guerra “termine logo”.
Paralelamente, Putin se reúne nesta quinta-feira com enviados de Donald Trump, em Moscou.
Encontro trilateral no radar
Zelensky anunciou ainda que um primeiro encontro trilateral entre Ucrânia, Estados Unidos e Rússia pode ocorrer nos próximos dias, nos Emirados Árabes Unidos.
A proposta de negociações com os três países à mesa tem sido uma das apostas de Trump para encerrar o conflito.
Moscou afirma não se opor a uma reunião direta entre Putin e Zelensky, mas sustenta que um encontro desse nível só deve ocorrer após avanços concretos no processo de paz.