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brasileira vítima de tentativa de estupro é ouvida pela 1ª vez

Mundo


A brasileira Jhordana Dias, que sofreu uma tentativa de estupro em um trem na região de Paris, foi ouvida pela juíza de instrução do caso nessa quinta-feira (15/1). De acordo com o advogado dela, o suspeito da agressão está em prisão preventiva.

“Hoje, eu passei por uma fase muito importante, na qual a juíza me ouviu e confrontou os fatos”, contou Jhordana à RFI nesta quinta-feira. “Eu espero que a justiça seja feita em breve”, continuou a jovem, que disse que vai permanecer na França.

“Eu preciso, eu pretendo ficar na França porque meu processo está correndo” no país, salientou.

Esta foi a primeira vez que a jovem, de 26 anos, foi ouvida pela Justiça francesa. Em outubro, logo após a agressão, ela prestou queixa em uma delegacia.

“A juíza que instrui o caso decidiu ouvir a Jhordana para dar a palavra à vítima no curso dessa instrução penal”, explicou o advogado da brasileira, André Fernandes. “A partir daí, a juíza, com o poder de dirigir o caso, decidirá o que fazer com esses elementos que ela colheu no depoimento de hoje, que só vieram corroborar aquilo que Jhordana já havia relatado quando foi ouvida anteriormente”, disse.

Segundo seu advogado, o processo está em instrução, ou seja, a pessoa que cometeu a agressão foi formalmente acusada pelo Ministério Público.

“Hoje, ele tem uma acusação de tentativa de estupro. Esperamos que essa classificação penal seja mantida até o fim do processo. É o que se deseja, enquanto parte civil: que a pessoa seja devidamente punida e que a justiça seja feita. Afinal de contas, ela sofreu uma agressão muito violenta no transporte público”, afirmou o advogado, lembrando que o caso de Jhordana não é isolado.

“Outras mulheres também relatam diversos graus de incivilidade e agressões nos transportes públicos aqui na França”, lamentou.

Prisão preventiva

O agressor de Jhordana foi reconhecido por supostas outras vítimas nos vídeos postados nas redes sociais.

Segundo o advogado, o suspeito ficará em prisão preventiva por um ano, prazo que pode ser renovado.

“O trabalho da investigação identificou que ele era realmente a pessoa suspeita de ter cometido os atos violentos contra a Jhordana e, sendo essa a conclusão da polícia, ele foi colocado, também por manifestação do Ministério Público, em privação de liberdade até que o caso seja elucidado. Por enquanto, ele é formalmente acusado e aguarda uma sentença penal condenatória, que virá no curso do processo”, explicou.

André Fernandes lembra que, na França, de acordo com as regras do direito penal, esse tipo de detenção pode ser renovada “para o bem da instrução penal e para evitar novas vítimas”. A Justiça pode determinar a renovação da medida por até quatro anos.

O processo pode demorar, e ainda é cedo para falar das possíveis penas. “Precisamos saber se essa classificação penal de tentativa de estupro vai prevalecer na visão do magistrado que instrui o caso”, explicou. “Ainda é muito prematuro dizer se se trata de uma agressão sexual simples ou de uma tentativa de estupro. As penas podem variar bastante em função da classificação do tipo penal.”

Traumatismo

Jhordana, que é natural de Goiânia, disse que está bem, “na medida do possível”, e que está fazendo acompanhamento psicológico. “Porque o trauma que ficou em mim foi muito grande”, ressaltou.

A jovem foi alvo de socos, mordidas e agressões de natureza sexual dentro de um RER C, uma das linhas férreas que ligam a capital francesa à periferia, na manhã de 15 de outubro.

O violento episódio foi filmado por uma passageira do trem, que agiu rapidamente para socorrê-la. As imagens viralizaram nas redes sociais francesas e permitiram a identificação do suspeito e a prisão alguns dias depois, em 24 de outubro.

“A Jhordana teve a coragem de se manifestar, de romper o silêncio, porque muitas mulheres em situações assim se sentem ameaçadas e são silenciadas pelo medo”, disse o advogado.

“Mas, apesar dessa coragem de falar abertamente sobre o que aconteceu, ela hoje se encontra extremamente traumatizada pelos eventos. Tem medo de andar novamente em transporte público em determinados horários, ainda não consegue dormir. Enfim, é uma pessoa que realmente sofre um trauma, um estresse pós-traumático”, afirmou.

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Fonte Metrópoles

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