O que pizza tem a ver com guerra? À primeira vista, a ligação pode soar improvável, mas uma teoria curiosa que circula na internet sugere o contrário. Conhecido como “Índice da Pizza” ou “Pentagon Pizza Index”, o conceito associa o aumento de pedidos de pizza perto de prédios estratégicos dos Estados Unidos a momentos de tensão e decisões militares importantes.
No dia 3 de janeiro, horas antes de os EUA atacarem à Venezuela – ação que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças norte-americanas – perfis que acompanham o chamado “Índice da Pizza” identificaram um aumento repentino na movimentação e nos pedidos em pizzarias próximas ao Pentágono, por volta das 2h da manhã no horário do leste dos EUA.
Esse tipo de anomalia, registrado também em outras crises, foi interpretado por seguidores da teoria como um indício de que equipes do governo e das Forças Armadas estavam trabalhando intensamente em operações que, poucas horas depois, se concretizaram com o ataque a Caracas e a captura de Maduro em território venezuelano.
Captura e acusações contra Nicolás Maduro
- Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados no último sábado (3/1) por forças dos EUA e levados a Nova York para julgamento.
- A denúncia afirma que Maduro comandou por mais de 20 anos uma rede criminosa no Estado venezuelano para enviar cocaína aos EUA.
- Também foram acusados Diosdado Cabello, ministro do Interior da Venezuela; Cilia Flores, esposa do presidente; o deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do ditador venezuelano; e outros aliados do regime, apontados como integrantes ou facilitadores da suposta organização criminosa
- As acusações incluem narcoterrorismo, tráfico e lavagem de dinheiro, com penas de 20 anos a prisão perpétua. Maduro se declara inocente.
Teoria não tem reconhecimento oficial, mas coincidências chamam atenção
O chamado Índice da Pizza não tem base científica nem reconhecimento oficial. Ainda assim, chama atenção pela repetição de coincidências ao longo das últimas décadas. A lógica é simples: em situações de crise, equipes do governo e das Forças Armadas passam horas seguidas trabalhando e recorrem a pedidos de comida, principalmente pizza, por ser rápida e fácil de compartilhar.
Na madrugada do ataque à Venezuela, o perfil @PenPizzaReport, no X (antigo Twitter), que monitora sinais públicos como dados de movimentação do Google Maps, apontou um aumento repentino na atividade da Pizzato Pizza, uma pizzaria que funciona até tarde perto do Pentágono.
Freddies Beach Bar, the closest gay bar to the Pentagon is reporting below average traffic.
The nearby sports bar, Crystal City Sports Pub is reporting below average traffic.
The closest open Papa Johns is reporting slightly above average traffic.
As of 1:43am ET pic.twitter.com/t5b1EHeUde
— Pentagon Pizza Report (@PenPizzaReport) January 3, 2026
O pico começou por volta das 1h40 da manhã (horário do leste dos EUA) e se manteve elevado por cerca de uma hora e meia. Pouco antes, o perfil também havia registrado queda no movimento de bares da região e um volume de pedidos acima da média em uma unidade da Papa John’s. Às 6h, Trump anunciou a captura do presidente venezuelano.
Teoria antiga
A associação entre pizza e decisões militares não é nova. Em 1990, um franqueado da Domino’s relatou ao jornal Los Angeles Times que a CIA havia feito um pedido recorde de 21 pizzas em uma única noite.
No dia seguinte, o Iraque invadiu o Kuwait, dando início à Guerra do Golfo. Situações parecidas teriam ocorrido antes da invasão de Granada, em 1983, do ataque ao Panamá, em 1989, e durante o processo de impeachment do então presidente Bill Clinton, em 1998.
Durante a Guerra Fria, agentes de inteligência soviéticos chegaram a apelidar esse tipo de monitoramento de “Pizzint”, uma forma não convencional de observar possíveis movimentações militares dos Estados Unidos a partir do comportamento logístico interno do governo americano.
Em abril de 2024, quando o Irã lançou drones e mísseis contra Israel, analistas de inteligência de código aberto (OSINT) também registraram um aumento fora do padrão em pizzarias próximas ao Pentágono, à Casa Branca e ao Departamento de Defesa.
As observações foram feitas com base em dados públicos de plataformas como Google Maps e em relatos compartilhados nas redes sociais.
Hoje, o acompanhamento do chamado “Índice da Pizza” é feito de forma colaborativa. Perfis e analistas monitoram, em tempo real, indicadores de restaurantes movimentados, capturam telas de aplicativos de mapas e observam relatos de estabelecimentos em um raio de até três quilômetros de prédios estratégicos.





