O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo (11/1) que o governo israelense acompanha de perto os desdobramentos da situação política no Irã. Em declaração publicada na rede social X (antigo Twitter), o premiê elogiou a mobilização da população iraniana contra o regime dos aiatolás e o líder supremo, Ali Khamenei.
No vídeo, gravado durante uma reunião de gabinete, Netanyahu destacou a repercussão internacional das manifestações e elogiou a “bravura” dos manifestantes. “Israel está monitorando de perto os acontecimentos no Irã. As manifestações pela liberdade se espalharam por todo o país. O povo de Israel, e na verdade o mundo inteiro, está maravilhado com a imensa bravura dos cidadãos do Irã”, declarou.
Em outro momento, o primeiro-ministro também afirmou desejar a retomada de relações amistosas com o país persa e criticou a repressão promovida pela polícia iraniana contra os protestos.
“Israel apoia a luta deles pela liberdade e condena veementemente os assassinatos em massa de civis inocentes. Todos nós esperamos que a nação persa seja em breve libertada do jugo da tirania e, quando esse dia chegar, Israel e Irã voltem a ser parceiros fiéis na construção de um futuro de prosperidade e paz para ambas as nações.”
EUA ameaçam intervir no Irã
As autoridades iranianas acusam Estados Unidos e Israel de estimularem os protestos, enquanto opositores afirmam que o movimento é resultado direto do descontentamento popular com a condução política e econômica do país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o país norte-americano está “pronto para ajudar” os manifestantes que buscam pela liberdade.
Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou em sessão que o Irã responderá fortemente a qualquer intervenção norte-americana no país. “Se os Estados Unidos lançarem um ataque militar, tanto os territórios ocupados quanto as bases militares e portuárias americanas serão alvos legítimos para nós”, afirmou.
Em vídeo publicado por veículos locais, Ghalibaf alerta sobre a retaliação a Israel e bases militares dos Estados Unidos. Veja:
Iranian Parliament Speaker Mohammad Bagher Qalibaf:
If the United States launches a military attack, both the occupied territories and U.S. military and shipping centers will be legitimate targets for us. pic.twitter.com/3H5mfnfu2q
— Clash Report (@clashreport) January 11, 2026
Número de mortes já passa de 500
Ainda neste domingo, um novo balanço divulgado pela ONG de direito israelense HRANA aponta para 538 pesosas mortas em meio às manifestações no país. Das 538 vítimas, 490 são manifestantes, e 48, policiais. O número de presos passa de 10 mil.
Segundo a ONG, especializada na monitoração de violações de direitos humanos no país, as mortes foram confirmadas a partir de fontes locais e da checagem cruzada com veículos independentes.
Especialistas indicam que o número real de mortos pode ser ainda maior, uma vez que, de acordo com a ONG de cibersegurança Netblocks, ainda vigora o apagão quase total da internet imposto pelo regime teocrático. Assim, a verificação das informações é dificultada.
Até este sábado, os protestos no Irã continuavam em várias regiões, apesar do aumento da repressão pelo aparato policial do regime.