O Vaticano negociou uma possível saída de Nicolás Maduro da Venezuela com destino à Rússia dias antes da operação dos Estados Unidos, realizada no último sábado (3/1), que resultou na captura do presidente venezuelano. As informações constam em documentos governamentais obtidos pelo jornal The Washington Post.
Segundo a reportagem, publicada nessa sexta-feira (9/1), o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, buscou convencer autoridades americanas a oferecer uma alternativa a Maduro para evitar derramamento de sangue e maior instabilidade no país sul-americano. A proposta envolvia a concessão de asilo político pelo governo russo, com garantias de segurança ao líder venezuelano e à sua família.
Captura e acusações contra Nicolás Maduro
- Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados no último sábado (3/1) por forças dos EUA e levados a Nova York para julgamento.
- A denúncia afirma que Maduro comandou por mais de 20 anos uma rede criminosa no Estado venezuelano para enviar cocaína aos EUA.
- Também foram acusados Diosdado Cabello, ministro do Interior da Venezuela; Cilia Flores, esposa do presidente; o deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do ditador venezuelano; e outros aliados do regime, apontados como integrantes ou facilitadores da suposta organização criminosa
- As acusações incluem narcoterrorismo, tráfico e lavagem de dinheiro, com penas de 20 anos a prisão perpétua. Maduro se declara inocente.
Na véspera do último Natal, em 24 de dezembro, Parolin convocou com urgência Brian Burch, embaixador dos EUA na Santa Sé, para pedir esclarecimentos sobre os planos de Washington para a Venezuela. De acordo com os documentos, o cardeal questionou se a ofensiva americana teria como alvo apenas o narcotráfico ou se envolveria uma mudança direta de regime.
Parolin reconheceu que Maduro deveria deixar o poder, mas defendeu que isso ocorresse por meio de uma saída negociada. Ele afirmou a Burch que a Rússia estaria disposta a conceder asilo ao presidente venezuelano e pediu tempo para pressioná-lo a aceitar a oferta.
“O que foi proposto a Maduro foi que ele fosse embora e pudesse desfrutar do seu dinheiro”, disse uma fonte que teve acesso a negociação. Segundo ela, parte do acordo previa garantias pessoais dadas pelo presidente russo, Vladimir Putin.
Tentativas frustradas
Apesar dos esforços diplomáticos, a negociação não avançou. Dias depois, em 3 de janeiro, Maduro e a esposa foram capturados por forças norte-americanas. O casal foi levado a Nova York para responder a acusações de narcotráfico e tráfico internacional de drogas.
O encontro no Vaticano foi apenas uma entre várias tentativas fracassadas de encontrar um refúgio seguro para Maduro antes da operação americana. Além da Santa Sé, intermediários da Rússia, do Catar, da Turquia e outros atores internacionais tentaram evitar a escalada do conflito e uma intervenção direta dos EUA.
Em nota, a assessoria de imprensa do Vaticano lamentou a divulgação de trechos de uma conversa confidencial e afirmou que o conteúdo divulgado não refletiria com precisão o teor do diálogo. O Departamento de Estado dos EUA se recusou a comentar, e o Kremlin não respondeu aos pedidos de posicionamento.
Maduro recusou acordos
De acordo com o jornal, Maduro recebeu alertas para deixar o poder poucos dias antes da ofensiva, mas recusou todas as propostas. Fontes relataram que ele acreditava que os EUA não agiriam e que conseguiria se manter no cargo apostando em mudanças no cenário político americano.
Em uma ligação com Trump, em novembro do ano passado, Maduro teria interpretado a conversa como positiva, quando, na avaliação da Casa Branca, tratava-se de um aviso direto. O presidente americano chegou a convidá-lo para Washington, oferecendo salvo-conduto, mas o venezuelano recusou.
“Ele não aceitou o acordo. Simplesmente acreditava que nada aconteceria”, afirmou uma fonte, em anonimato.












