O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse, nesta sexta-feira (9/1), que seu governo não vai recurar, apesar da onda de protestos que tomam conta do país pelo 13º dia seguido. A declaração foi o primeiro pronunciamento desde o início das manifestações, no fim de 2025.
As principais reivindicações dos manifestantes dizem respeito a crítica situação econômica do país, fortemente afetado por sanções estrangeiras desde a revolução em 1979.
Khamenei afirmou que a recente turbulência no Irã está sendo provocada por supostos “sabotadores”. Pessoas que estariam, de acordo com o líder iraniano, “agradando o presidente americano e esperando a sua intervenção”.
“Todos devem saber que a República Islâmica do Irã, fundada com o sacrifício de centenas de milhares de pessoas honradas, não recuará diante daqueles que causam destruição”, declarou o aiatolá.
Na quinta-feira (8/1), o país ficou praticamente incomunicável com o restante do mundo, após um apagão na internet iraniana. Segundo a plataforma NetBlocks, especializada em monitorar o ciberespaço, o corte deixou todos os sites do país inacessíveis.
Por conta da repressão contra manifestantes, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou uma intervenção norte-americana no Irã caso os protestos resultem na morte de civis.
A onda de protestos no Irã é a maior desde 2022, e já soma 36 mortes. Dados da Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA) indicam que 34 vítimas fatais dos confrontos entre civis e autoridades eram manifestantes. Outros 2 mortos eram agentes de segurança do país.