O controle do território da Groenlândia tornou-se a nova obsessão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nesta semana, o republicano se reuniu com o alto escalão do governo para elaborar planos para tomar a ilha, que é controlada pela Dinamarca.
Nessa terça-feira (6/1), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou que Trump estuda diversas possibilidades para comandar a Groenlândia, inclusive o uso das Forças Armadas.
No entanto, a proposta principal do republicano é controlar a região sem precisar usar armas contra a Dinamarca — que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, informou que o plano principal de Trump é comprar a Groenlândia em vez de invadi-la, de acordo com o jornal norte-americano The New York Times.
Em reunião com parlamentares republicanos na segunda-feira (5/1), Rubio deu detalhes das ambições de Donald Trump sobre a Groenlândia. Segundo o secretário de Estado, o presidente pediu que os assessores apresentem planos para a compra do território.
Segundo o governo Trump, a Groenlândia é vista como estratégica diante da crescente disputa geopolítica no Ártico.
No sábado (3/1), o tema voltou a ganhar destaque após Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, publicar uma imagem da Groenlândia coberta pela bandeira norte-americana.
Importância da Groenlândia para Trump
O interesse do republicano pela ilha não é novo. Ainda durante seu governo anterior, Trump manifestou a intenção de anexar a Groenlândia aos Estados Unidos.
Ao retornar à Casa Branca, voltou a defender a ideia, afirmando que o controle do território seria essencial para conter adversários na região polar.
A Groenlândia ocupa uma posição estratégica no Ártico, região cada vez mais disputada por potências globais.
Os Estados Unidos já mantêm na ilha uma base militar voltada à defesa antimísseis, considerada fundamental para o monitoramento de ameaças vindas do hemisfério norte.
Com o avanço das mudanças climáticas e o derretimento do gelo, rotas marítimas antes inacessíveis começam a se abrir, transformando o Ártico em um corredor comercial e militar relevante entre o Atlântico e o Polo Norte.
Além disso, a ilha possui grandes reservas de minerais de terras raras, essenciais para tecnologias de ponta, como baterias, celulares e veículos elétricos — um mercado hoje amplamente dominado pela China.
Estudos também apontam potencial para reservas de petróleo e gás na plataforma continental da Groenlândia.
Limites legais e políticos
Embora Trump afirme que “há uma boa chance” de os EUA conseguirem a Groenlândia “sem força militar”, uma anexação enfrentaria enormes obstáculos legais e políticos.
Uma intervenção armada violaria princípios centrais da Otan, da qual Dinamarca e Estados Unidos são membros fundadores, além de gerar forte reação internacional.
A Groenlândia conquistou autonomia em 1979 e, desde 2009, tem o direito de realizar referendos sobre a independência. Apesar disso, a política externa e a defesa seguem sob responsabilidade de Copenhague, e a economia local depende fortemente de subsídios dinamarqueses.